Walmor Macarini
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Walmor Macarini 
Há uma parcela de culpa em cada habitante da Terra pelo que aconteceu na terça-feira em Nova York. As guerras, os atentados, as brigas, tudo isso começa a plasmar-se primeiro na mente de cada um, até chegar ao ponto de saturação, e aí a explosão será apenas uma natural consequência.
A erupção de NY e todas as demais, grandes e pequenas, que ocorrem no dia-a-dia das pessoas, nada mais são do que emanações da qualidade do nosso pensamento. Todos nós temos dado um sopro no balão que explodiu nos EUA. São como fumaças e gases que, um pouco por pessoa, vamos lançando no ambiente, até que se forme uma névoa, carregada de poluição.
O presidente dos Estados Unidos e os grupos terroristas só para citar dois fortes agentes do presente episódio foram catalisadores das irradiações do inconsciente coletivo. Assim como a catapora: se há disfunções no organismo, ela pipoca na epiderme. Tudo é igual com todas as coisas. Assim, em algum lugar as erupções têm que acontecer.
A explosão de Nova York representa a somatização de emissões da mente coletiva, da qual somos co-criadores e suas própria vítimas. O primeiro-ministro britânico Tony Blair disse que o terrorismo é um novo demônio que temos que combater. Ele erra no alvo, porque o espetáculo dantesco a que assistimos terça-feira não é causa, mas consequência. O demônio mencionado é nada mais que a soma das vibrações da mente de cada um, das palavras, que resultam em fenômenos inesperados como o de agora.
A saturação de tantas emanações negativas resulta em explosões, aqui e acolá, que acontecem a todo instante, em forma de iras, agressões, pequenos delitos, assaltos, crimes e loucuras extremas como esta que acaba de se manifestar na grande cidade americana. Nada tão moderno e tão tecnológico, porque os homens são os mesmos, apenas os aviões-bala foram mais potentes e sofisticados.
O homem vai reeditando o que já fez no passado, porque sua mente reedita os mesmos pensamentos. Botar a culpa no demônio é negar a participação que temos em tudo isso. Se planejamos construir uma coisa, primeiro a criamos em nossa mente. Da mesma forma, uma emissão de ira, de opinião carregada de densidade negativa sobre alguma coisa, se materializará lá adiante, pela nossa própria mão ou pela mão dos mais propensos a cada ação.
Esses agentes são de certa forma vítimas, porque receptivos a idéias afins. Eles já carregam em si esses registros, por isso se identificam com a mesma corrente da mente coletiva. São como pára-raios. Passam então a ser algozes e vítimas. Uma explosão é uma descarga, e depois dela, o ambiente se torna mais leve, até que nova condensação de energia se opere. O episódio dos EUA foi uma grande descarga.
Guerras de revide ao terrorismo serão inúteis, porque são as mentes que estão armadas. Destruição de homens e seus armamentos, pela via dos contra-ataques, apenas eliminará temporariamente certos agrupamentos e certa quantidade de armas, mas o espírito gerador continuará ativo, e novos atentados acontecerão, mais dia menos dia.
Então, como fazer? Da forma que as coisas são criadas elas são desfeitas, porque o agente é o homem. Depende de sua vontade, não da força de seu poderio militar. No episódio dos Estados Unidos os mais sofisticados radares e demais detectores teriam sido inúteis, porque o método foi o que os camicases japoneses já utilizaram meio século atrás. Algo tão primitivo que nenhum estrategista bélico seria capaz de imaginar hoje.
E como reverter essa situação? Pelo mesmo caminho que levou à ação. Todo movimento que qualificamos de um mal tem um peso e retorna. É um fenômeno meramente físico. Pelo fato de ser produto da mente, não significa algo complexo. Tão simples como lançar uma bola na parede. Se a lançamos, sabemos que ela volta, com a mesma intensidade da força do arremesso. Tudo no universo gira segundo uma lei de causa e efeito. A vontade divina é essa lei.
Mentes positivas sintonizam-se na frequência da Origem (a que damos o nome de Deus), onde não há nenhuma densidade. O retorno será uma projeção idêntica. Quando todas as mentes fizerem essas emissões, todos os males se diluirão como a escuridão ante a luz.
Quem, no momento da tragédia nova-iorquina, lembrou-se de orar também pelos camicases e pelos mentores intelectuais daquela ação terrorista? Certamente que muito poucos. Amar os inimigos é que é o difícil... Mais provável é a maioria ter proferido muitas palavras de repúdio a eles, de inconformismo, de ódio. E assim mais um balão já começou a se inflar, com a ajuda de todos nós.
Sempre se fazem missas, cultos e orações pelas vítimas de crimes e atentados, mas nunca pelos algozes. Porque guardamos em nós preconceitos e opiniões prefixadas sobre padrões de delitos e virtudes, de culpados e inocentes, e também a nossa porção de algozes. Reside aí a força da mente coletiva, que é geradora de todas as coisas, más ou boas.
A mente criadora positiva é pura. Ela não penetra na mente coletiva hoje predominante no mundo, por isso não a fortalece e nem sofre as consequências dela, mas se sintoniza na mente universal. Quem resolver dedicar uma pequena prece que seja, também para os terroristas e os ''homens maus'' deste mundo criará uma abertura de luz que fará menos densa a treva. É para estes que os bons pensamentos também devem se voltar, para quebrar a corrente.
Cada um de nós pode ser uma vela a mais no candeeiro, ou um explosivo. Tudo tem a ver com nosso pensamento. Pela qualidade do pensamento transformamos as coisas, para melhor ou para pior. Depende de nossa escolha.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


