Walmor Macarini
A pessoa mais qualificada para fazer uma coisa é aquela que quer fazê-la. Ninguém é incapaz. O que ocorre é que a pessoa às vezes não deseja, mesmo, realizar determinada coisa, por isso não emprega toda a sua potencialidade nessa tarefa. E declara-se incapacitada. Melhor seria ela dizer: Não quero, logo não posso.
E quem quer fazer, às vezes tropeça, mas só tropeça quem anda e só se levanta quem cai. Muitos se deixam cair, espontaneamente, e isto é fácil. Basta soltar o corpo. Mas para levantar-se é preciso fazer força.
Os acomodados cometem poucos erros. Só erra quem está buscando acertar. Nunca se viu ninguém direito que não tenha efeito alguma coisa torta, eis que o torto faz parte do risco de quem está fazendo.
Às vezes se diz que Fulano é muito rico, dono de empresas prósperas, e que deveria repartir com os pobres um pouco do que tem. Mas ele já está repartindo, através dos empregos que dá. Ter a coragem de implantar um negócio já é um gesto de coragem e de doação.
Muitos dizem que a empresa tal nunca deixou uma obra social para a cidade. Ora, a empresa é a obra social. E outros mais apontam que Cicrano montou a empresa aqui, ganha dinheiro aqui mais passou a morar na cidade grande. Ocorre que só ele mudou, porque a empresa permanece.
Também há os que condenam alguém que lançou um empreendimento mas se enterrou em dívidas e foi à falência. Honesto e arrojado que seja, fica-lhe a fama de fracassado. Aí alguém retoma a empresa, injeta capital e o negócio prospera. Então, o mérito deve ser de ambos. Mas do primeiro, que pagou o preço do risco inicial sempre o mais crítico de um negócio novo ninguém se lembra, a não ser que faliu.
Há os que se comprazem com os infortúnios alheios, até para justificar os seus. Nunca se dá um título de cidadão honorário a quem abriu o buraco, mas apenas a quem fincou o mourão. De qualquer forma, importa muito que cada qual faça com dignidade tudo o que faz. Os resultados daí decorrentes, com toda certeza, são sempre bons.
Um falido não é um fracassado, porque fracassos não existem. O que existe é um resultado. Sob essa ótica, não há males que vêm para o bem, como se diz, porque males não existem. Se algo resultou num bem, então não era um mal... Conclui-se daí que todas as coisas são bens que vêm para o bem. Um tropeço é um resultado e não um mal. De um tombo sempre se colhe a experiência do levantar.
Cada qual tem mais gosto ou aptidão por uma função. Então que a faça bem- feita. A tudo há que se dar o toque da beleza. Fazendo coisas bem-feitas para os outros as fazemos primeiro para nós mesmos. Devemos nos sintonizar nas coisas que fazemos. Cada uma a seu tempo. Na hora de trabalhar, trabalhar; na hora de descansar, descansar; na hora de comer, comer; na hora de amar, amar. Cada coisa sendo feita como se fosse a mais importante.
E o que é vencer na vida? É vencermos a nós próprios. É fazer as coisas com alegria. E assim damos também um toque de espiritualidade nas coisas materiais. Quem delas se servir, sentirá os efeitos e sempre gostará delas. Temos que mudar o enfoque. Ante uma obra grandiosa ou de um grande negócio alheios, a maioria das pessoas diz: Quanta grana Fulano deve estar ganhando! Mas o filósofo vê diferente: Quanto emprego e quanta alegria ele está proporcionando a tantas pessoas, com isso!
Também não é um mal achar que alguém está ganhando bom dinheiro com seus negócios. Mas temos que louvar isso, ficando felizes, e não nos deixarmos trair por pitadas de inveja. Esse sentimento (o da inveja) é tão sutil que no mais das vezes nem o percebemos.
Se contribuímos para a vitória de alguém, nós também somos vencedores. Paradoxal que pareça, um time que não jogou o suficiente e permitiu a vitória do outro, também ajudou nessa vitória. Então, se ajudou, não é perdedor. Mas, o que é derrota e o que é vitória? Nada, a não ser resultado. E um resultado é sempre um ganho.
Todos nascemos sabendo. Temos em nós todos os conhecimentos. Somos aptos para tudo. Um com mais tendência para certas coisas, outro com menos. Embora tendência tenha muito a ver com vontade. Não temos que nos surpreender com os denominados gênios. Todos somos gênios naquilo que fazemos. Einstein nunca sabia o número de seu próprio telefone. Isto era difícil para ele, simplesmente porque o número de seu telefone pouco lhe interessava. Foi repetente na escola. Nas horas de folga lia gibi. Mas o que ele intuía (e tudo ele atribuía à intuição), era fácil para ele.
Sempre achamos que é difícil aquilo que não sabemos e que na verdade não queremos. Se dizemos isto não é comigo, não sei fazer isto, é porque desligamos isso da mente, e então não sabemos e não fazemos. Se uns fazem determinada coisa, outros também podem fazê-la, com maior ou menor eficiência. As circunstâncias extremas nos provam que fazemos coisas que não imaginávamos ser capazes.
Nenhum de nós se imaginou saltando de um edifício sobre um colchão dos bombeiros lá em baixo, mas se o prédio estiver em chamas, nós saltamos! Então, nossa capacidade de saltar estava dentro de nós. Assim como tantas coisas fantásticas que nem sequer imaginamos. Não à toa que Almir Sater diz em seu canto: Cada qual carrega dentro de si o dom de ser capaz.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





