Comprei um telescópio e contemplei o céu para ver Deus, e aí percebi que ‘‘ele’’ olhava para o mesmo lugar através de mim. O homem ‘‘expulsou’’ Deus para o céu e por isso fica-lhe difícil encontrá-lo, assim tão distante e invisível. Mas onde fica o céu? Fica em qualquer lugar onde estejamos, e aí estará Deus. Basta olhar para dentro de nós e para tudo que nos cerca, e aí está a sua presença. Podemos, ademais, visualizá-lo da forma que desejarmos. Se o imaginamos sentado num trono, ele aí estará; se quisermos ouvi-lo, ele nos falará. Podemos contemplá-lo no sopro do vento, na semente que germina, no desabrochar de uma flor.
No processo da vida, aí está Deus. Não um ser, mas um sistema. Com o nome que se queira lhe dar. Cada ser, cada coisa, cada manifestação, tudo isto o compõe. Por isso não podemos nos separar dele. Deus é, em síntese, o Processo. Se quero vislumbrá-lo com meu telescópio, ele olhará comigo e verá a si próprio e a mim.
Por isso, não tenhamos receios. As nossas vontades são as vontades de Deus. Só temos que saber quais são as nossas vontades e defini-las claramente, porque Deus não o fará por nós. A vontade dele é que realizemos as nossas vontades. Daí se dizer que se o homem se move, move o Universo. A fúria da natureza é o resultado da fúria do homem. E na contrapartida, assim é com a bem-aventurança.
A Terra é um campo de provas. Mas não é o homem o objeto da prova. Ele é o experimentador. Porém, não sejamos egoístas pensando que somos os únicos. Porque ‘‘na casa do Pai há muitas moradas’’. O Pai é o sistema, as moradas são todos os ‘‘rincões’’ do infindável universo habitado.
Não temos que procurar fórmulas complexas para aquilo que, em sua essência, é muito simples. O homem, muitas vezes, cultiva formas de contrariedades. É um hábito. Mas nunca uma vontade de Deus. Porém, ao contrário, o homem pode adquirir o hábito de acionar o sentimento das boas coisas que quer, de criar o encantamento e enfeitiçar-se com aquilo que escolhe. Só basta liberar o super-homem que carrega dentro de si. O super-homem é o seu eu superior, que está permanentemente conectado com a Mente do Universo, ao Processo, ou qualquer nome que se queira dar e que os homens resolveram chamar pela denominação masculina de Deus.
O homem, portanto, não deve situar-se pequeno diante desse processo, porque ele é componente do Processo. Imaginar-se pequeno é arrogância, significa a presunção de isolamento, de separação, ante um poder maior, como que se tornar uma individualidade à parte. Cada ser é uma roda nessa imensa engrenagem. O homem proclama-se pequeno diante do mistério do Universo, como a manifestar humildade, no entanto não tem nenhum critério de humildade diante dos seus iguais terrenos, e perante eles quer mostrar-se superior.
A consciência do poder, isto é, o reconhecimento de quem somos, e o Universo se rejubila por isso. Imaginar-se pequeno é negar Deus, é fugir da participação, embora isso seja inevitável, porém se içamos nossas velas chegamos mais rápido.
Beber da pregação dos templos pode ser um caminho para os iniciantes, mas os dogmas que os regem estabelecem um limite e não permitem a busca de ultrapassagem. Sobre o livro que ali está, não é concedido interpretar de maneira diferente do que lhe ensinam seus mentores, imersos em muitos equívocos e persistentes neles. Há que avançar. Aprisionados dentro desses limites que lhe impõem, o obediente seguidor fica proibido de escolher por sua própria decisão, e assim a conexão com a luz e com o poder que lhe são inerentes e imanentes vai se enfraquecendo, por desuso. Assim, ouvindo o ruído das vozes externas, perde a oportunidade de ouvir a voz que ecoa de seu santuário interior, onde ele se afigura como discípulo e mestre. Porque ali fala a sua intuição, que está na consonância de toda a sabedoria e de todo o poder.
Do que fazemos, colhemos os resultados, sem o qualificativo de que nossos sentimentos, nossas palavras e nossos atos são certos ou errados, bons ou maus. Esses conceitos pertencem só aos homens, segundo suas leis e tradições. No conceito da Superconsciência não existem tais registros. Aquilo que o homem faz é o exercício de seu experimento terreno. Tudo é apenas resultado de sua vivenciação da fisicalidade. Nada em sua essência se macula e nem se altera.
Naturalmente que causas geram efeitos, e se trilhamos por caminhos de pedras estamos sujeitos a tropeços e tombos – ou, os nossos infernos, se desejamos ter um – não, porém, castigos divinos. Contudo, pode o homem trilhar pelos caminhos que desejar, porque é da vontade de Deus que assim seja, e por isso não o recompensará por supostas boas obras, eis que todas as recompensas já estão postas e disponíveis, e nem o punirá. Já bastam os tombos.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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