Walmor Macarini
As pessoas se casam, e se ocorre a separação maldizem o casamento. Ficam amargas e querem ser ouvidas. No mais dos casos, criticam o cônjuge do qual se separaram. Este é um momento de dor para elas.
Os homens são mais contidos. Só se abrem para os mais íntimos. Não significando que sofram menos. Já as mulheres desabafam para quem lhes der ouvidos, e se recompõem muito mais rapidamente que os homens, após uma separação. Estes podem atravessar uma vida inteira curtindo a dor de um abandono.
Os homens borboleteiam, mas não porque sejam volúveis (embora a maioria das mulheres ache que sejam) e sim porque estão procurando encontrar aquela que buscam. Não sabem quem é e como é, mas a buscam. Por isso o experimento do néctar de flor em flor. Como as borboletas. Às vezes cometem a imprudência de se unir a uma mulher que não é aquela que farejavam. Não tardará que retornem às floradas... Mas quando encontram o que buscam, aí ancoram o seu barco.
Os homens permitem a aproximação e o experimento com todas as mulheres que desfilarem ante seus olhos, mas têm como ponto fixo apenas uma, que nem sempre sabem definir como é. Se a encontram, e a ela se unem, são capazes de ser fiéis pelo resto de seus dias. Já as mulheres dificultam a aproximação, mas quando a permitem é porque estão decididas e doam-se por inteiro.
Os homens experimentam para depois decidir; as mulheres decidem para depois experimentar. E quando decidem, são capazes de tudo. Os homens podem abandonar facilmente uma relação do experimento, mas o fazem não porque só queiram tirar proveito e sim porque não encontraram o que buscavam. Então, prosseguem na caça de seu objetivo.
Às vezes uma relação equivocada pode durar para sempre, mas os homens sentem que algo lhes falta e que a alma gêmea ainda está para ser encontrada. Isto é uma obstinação. Raramente o homem busca uma mulher por alguma conveniência. A financeira, jamais. O homem não se casa com uma mulher só porque ela é rica. Ele se casa com qualquer mulher, desde que goste.
A beleza física é o que o atrai primeiro, e o desejo é o que se manifesta, antes de tudo. Inútil imaginar que isto vá mudar, porque não se trata de um processo educativo, mas da índole e da natureza masculina. Isto demonstra que o homem valoriza pouco o sexo e que a mulher o valoriza mais. Ela só o permite depois de muitos requisitos atendidos. Para ele, a princípio, o sexo é um ato tão comum como sentar-se à mesa e jantar. Então, quem coloca o sexo em primeiro lugar é a mulher, não o homem. Eis que ela o sublima.
Um homem de melhor cultura dificilmente se unirá a uma mulher sem esse atributo, atraente que seja. Se, contudo, ele não resistir aos seus encantos, buscará educá-la para que alcance o padrão dele. A mulher tem a tendência de buscar segurança, porque é de sua natureza. O homem se afigura sempre, para ela, como protetor. Isto faz bem a ela e sublima a sua feminilidade.
O homem gosta de acumular riqueza, porque isto lhe confere poder, embora não apregoe essa sua condição. Quer dinheiro para gastá-lo com a mulher e não necessariamente para outros caprichos pessoais. Mesmo que não tenha uma mulher, há sempre uma em sua mente. Tudo o que ele faz é para ela. Arruma-se para ela, busca uma posição social em função dela, implanta um negócio visando uma boa imagem diante dela, e se preciso faz uma guerra impulsionado por uma força estranha que ele não identifica bem, mas que tem na ponta da linha ninguém mais que a mulher.
E a mulher, de sua vez, quer dinheiro e o aprecia muitíssimo mais que o homem não para acumulá-lo e ficar contando notas, mas para comprar tudo o que deseja.
As mulheres se põem belas e bem vestidas para mostrar-se às outras mulheres. Há nesse rito um jogo de poder e de sutil competição. Elas são conscientes de que os homens podem achá-las lindas e maravilhosas, e sobre eles lançam impiedosamente o seu poder de sedução, mas sabem que é outro o julgamento que delas fazem as mulheres. Por isso que uma mulher não faz nenhuma crítica a outra mulher, na presença dela, porque isso seria fatal, não obstante o faça em sua ausência, e muito frequentemente. Já os homens pouco se importam com os homens a não ser quando tentem roubar sua presa e não reparam em suas roupas e em seus modos.
Uma mulher dificilmente guarda segredo com relação a outra mulher (ou homem). No mínimo o revelará à sua amiga íntima, que de sua vez o fará à sua própria íntima, que o fará à amiga íntima que lhe corresponde, e assim sucessivamente, até que a humanidade inteira fique sabendo.
Para o homem, histórias de infidelidade dos homens não são delitos, logo isto não constituem nenhuma informação nem algo que interesse a eles. Já as infidelidades femininas, se não tiverem a ver com suas próprias mulheres, despertam-lhes interesse. Os homens são cúmplices entre si e se autoprotegem. Ninguém entrega ninguém, porque isto é muito baixo e o indignifica perante si próprio.
Um homem nunca busca entender uma mulher, porque sabe que isto é impossível. Basta-lhe entender que é uma mulher...
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





