Uma avançada cultura sobre os denominados temas da espiritualidade não significa necessariamente que a pessoa tenha alcançado um elevado grau de evolução. O próprio termo nada quer dizer, pois não há ninguém mais nem menos evoluído que outro. Apenas existem pessoas que alcançaram um estado de expansão da consciência mais rapidamente que outras. Porque, inevitavelmente, em maior ou menor tempo, todos chegarão a esse nível de plenitude.
Vastos conhecimentos, nesse campo, poderão apenas estar municiando de informações o intelecto e não significar nenhum domínio e maestria para o uso construtivo da energia natural que rege todas as coisas ‘‘do céu e da terra’’. Não basta o conhecimento se a ele não se seguir a prática da crença e da experimentação.
O universo conspira a nosso favor, mas temos que fixar nossa consciência nisso. A fé, de que se fala, é a consciência de que se pode acionar o universo e fazê-lo mover-se na direção em que desejamos ir. O espírito que nos envolve – o nosso eu superior – é a vida imortal, e temos que acioná-lo para que não fique ‘‘em estado de coma’’, sob o domínio dos nossos sentidos, ou empreenda ‘‘fugas’’ e fique nos observando a distância...
Assumindo o espírito – que é o que somos – despertaremos para a consciência de nossa origem, ou permaneceremos na condição de carentes, fazendo pedidos e mendigando graças, o que é uma desnecessidade pois já temos todas. A fé consiste na consciência do nosso próprio poder e de que já somos possuidores de todas as dádivas.
‘‘O que eu faço vós também fareis, e ainda melhor.’’ Este foi um dos mais importantes ensinamentos daquele que nos fez esta revelação, mas por não a haverem compreendido as pessoas não lhe tem dado importância. Os novos tempos irão abrindo os portais dessa consciência e não serão necessários outros 2 mil anos...
As pessoas irão abandonando o comodismo de permitir que outros falem e decidam por elas e lhes ditem as normas de seguir a sua espiritualidade. Se lhes passam idéias de pequenez e as pessoas as aceitam, mantêm-se escravas desse obscurantismo e retardarão os próprios passos e os passos da humanidade no rumo de sua redenção.
Assumindo a grandeza de que estão revestidas, embora o ignorem, as pessoas potencializarão tudo, e então cessarão as doenças, as angústias, os infortúnios, as dúvidas. A salvação, de que as pessoas falam mas pouco compreendem, é a conscientização dessa grandeza, da fraternidade que é ao mesmo tempo a unicidade, isto significando o poder, do qual alguém veio nos informar mas temos relutado em aceitar.
Lembremo-nos sempre destas palavras: ‘‘O que eu faço vós também fareis...’’ Não fosse verdadeiro e não teria sido dito. Este o sentido da consciência da totalidade, do tudo poder – pela força que nos dá esse poder e nos fortalece. Dois mil anos de hibernação já foram suficientes para as pessoas começarem a despertar para o entendimento de que o poder está dentro delas. A salvação é esse poder imanente que cada um carrega em si, por herança divina. Fé significa a consciência desse poder. Há pois que elevar o pensamento e conectá-lo na sintonia da Mente do Universo, a que os homens deram o nome masculino de Deus.
Essa conexão nos liberta do próprio livre-arbítrio, porque em estado de sintonia retornamos ao nosso ponto de origem, onde nada precisa ser arbitrado. O livre-arbítrio é uma dádiva, porém ainda uma condição terrenal, espécie de lanterna para caminharmos pela escuridão e trilhar pelos caminhos que desejarmos.
É eterno o espírito que somos, e o espírito independe do corpo, através do qual, nesta vivência terrena, faz sua doação e seu experimento. Não somos o corpo que temos mas o espírito que somos; portanto, o visível é a ilusão e o invisível a realidade.
Se nos pensamos carnais, então assumimos nossa pequenez como tal, mas ocorre que não somos pequenos, porque não somos carnais. Somos a unicidade universal, e em sintonia com nossa essência captamos as coisas da essência. Salvação é essa compreensão e a libertação da ignorância acerca desta verdade. Jesus morreu na cruz para doar-se, e nós também estamos carregando nossa cruz porque estamos igualmente nos doando. Jesus veio por sua livre vontade, para divinizar a Terra, assim como também nós viemos como voluntários e com idêntica função.
Tivessem nossos sentidos a consciência do que viemos fazer, não sofreríamos, mas assim quisemos que fosse para que o amor e a fraternidade brotassem em nós espontaneamente, ou esse exercício teria pouco mérito. É verdade que assim não tem sido plenamente, porque se apagou de nossa mente carnal a memória dos nossos propósitos, embora isto não invalide a tarefa de nossa peregrinação por este mundo. Em nossa realidade essencial, cada um de nós é tão ‘‘velho’’ quanto os tempos eternos. Isto compreendido, se compreenderá a grande vida e a razão de nossa passagem terrena.
Estamos desempenhando o mesmo papel que o mestre nazareno exerceu, e ele nunca disse que éramos diferentes dele, mas ao contrário enfatizou tantas vezes que éramos seus irmãos, filhos do mesmo Pai. (Não tomemos ao pé da letra a palavra Pai, atribuição dos hebreus para designar um patriarca, e no caso um patriarca superior, porém entenda-se origem). Hoje – para aqueles que o escutam – Jesus se declara nosso irmão mais velho. Ele nunca se proclamou mestre – embora a riqueza de seus ensinamentos – nem salvador.
Mas se quem nos orienta nos salva de alguma coisa, então é um salvador, porém apenas sob esse aspecto, eis que nós próprios somos nossos salvadores. O espírito de Jesus não se arrogaria esse papel, ou feriria a lei do livre-arbítrio de cada um. Quando ele disse ‘‘eu sou o caminho’’, quis dizer ‘‘eu sou o modelo’’, e que fizéssemos igual. Nunca disse que montássemos em suas costas para que nos carregasse e nos salvasse, até porque nada há a salvar, eis que, por natureza divina, já somos salvos.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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