Walmor Macarini
Todos os momentos são propícios, mas neste tempo de Páscoa vamos elevar nosso pensamento e estabelecer a comunhão com a espiritualidade que preside nosso ser. Ao menos por instantes, vamos nos desconectar das vivências terrenas e nos entregar ao silêncio, permitindo o reencontro com nosso próprio espírito. Renascer para um tempo novo e permitir nossa fusão com a corrente do amor universal, o poder que envolve todas as coisas. Vamos navegar pelo oceano de luz e ressurgir para o grande entendimento. Sintonizar a fonte e beber dela. Ressuscitar para a consciência da eternidade. Porque somos celestiais e não temos limitações.
Neste tempo de Páscoa vamos cerrar os olhos para enxergar o eu superior que comanda nossa vida e que é nossa própria vida. Reconhecer nossa natureza divina e ouvir a voz que nos fala. Renascer para a luz de que somos feitos. Vamos abraçar as pessoas e abraçar a nós mesmos. Abraçar também os nossos medos, purificá-los com a chama transmutadora que carregamos por herança divina, e permitir que eles se liberem e se diluam. Vamos olhar para as estrelas e contemplar a imensidão do cosmos, e, se ficarmos atentos, iremos perceber que o universo também nos contempla.
Porque somos muito grandes aos olhos de Deus.
É tempo de Páscoa. Então vamos fazer o propósito de celebrá-la todos os dias, porque todos são dias de início de uma nova vida. Vamos revisitar com mais frequência nosso santuário interior e ouvir as vozes e os cânticos que ecoam sob as abóbadas desse majestoso templo. Vamos colocar em prática a experienciação de nossa divindade e assim redescobriremos os caminhos da verdade. Abandonar as idéias de pecado, de culpa e de opressão e fechar os olhos e ouvidos para aqueles que querem nos amedrontrar com a falsa imagem de punições divinas.
Porque compomos Deus e ele não puniria a si próprio.
Neste tempo de Páscoa não precisamos ficar todo o tempo desconectados de nossas vivências terrenas. Por isso podemos comer todos os ovos dos coelhinhos da Páscoa que desejarmos, fazer todas as festas, satisfazer todas as nossas vontades, comer todas as comidas e beber todas as bebidas, se isto nos trouxer alegria. Vamos cantar e dançar, se isto nos fizer bem. E se quisermos chorar, também podemos chorar. Não vamos nos impor limitações, porque somos senhores de nossas decisões. Vamos fazer todas as coisas que gostamos de fazer. Não seremos menos divinos por isto.
Porque somos humanos em nossa fisicalidade.
É Páscoa. A liturgia de hoje, dia 12, celebra a Ceia do Senhor. Amanhã é Sexta-Feira Santa, o dia da Paixão do Senhor. Sábado é a Aleluia. O espírito de Jesus-homem liberta-se de sua vestimenta carnal e retorna ao Reino que não é deste mundo. E domingo a Páscoa. Dia 22 celebra-se o 2º Domingo da Páscoa, e assim sucessivamente em todos os domingos, até 20 de maio. E no domingo seguinte (27 de maio) o culto é pela Ascensão do Senhor. A Páscoa dos cristãos celebra a ressurreição de Cristo. A Páscoa dos judeus comemora a saída de seu povo do Egito.
Porque os judeus de hoje não celebram Jesus. Seus ancestrais o crucificaram.
Neste momento da Páscoa vamos policiar nossos atos, de forma que beneficiem o maior número de pessoas e não causem prejuízo a nenhuma delas. Praticar o exercício de nos perguntar, a cada uma das nossas ações ou de nossos propósitos, se foi justo o que fizemos e se é justo o que pretendemos fazer. Varrer o vício da maledicência, porque tudo o que semearmos recairá sobre nós ou sobre algum dos nossos. Vigiar mais nossos pensamentos e palavras se estiverem voltados para o sentido do mal para não vermos corporificar-se aquilo que irresponsavelmente pensamos e falamos.
Porque é forte o poder criador do pensamento e da palavra.
Neste tempo de Páscoa vamos fazer um pacto com o amor. Que é o amálgama que une todas as coisas e a condensação da substância divina de que somos compostos. Nesta Páscoa vamos assumir a consciência de que somos esse amor universal. Compreender que nossas almas individuais compõem a grande alma do universo. Vamos, neste tempo de Páscoa, fazer o propósito de sermos melhores do que temos sido. Amar a nós próprios mais do que temos nos amado, para assim amarmos mais aos outros e os outros nos amarem na mesma intensidade. Amar e nada temer.
Porque o amor sempre triunfa sobre os medos e as incertezas.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





