Não existe ninguém superior ou inferior. Nem superioridade do homem sobre qualquer ser vivo. O que existe são estruturas diferentes, porém tudo compondo a mesma unicidade. Também não existe uma divindade que seja superior ao homem.
Nem Deus é superior a nada, porque para isto teria que estar separado do conjunto, um ser à parte. Porém essa separação não ocorre.
Deus não poderia ser superior a si mesmo, pois esse raciocínio não é possível. Seria como afirmar que uma pessoa é superior a um de seus dedos. Ela não pode ser maior que uma parte de si mesma, porque a parte a compõe. Sem uma parte ela estaria incompleta.
Sem nós e todas as coisas o universo não estaria inteiro. Sem todas as coisas Deus não seria. O todo é integrado das partes e as partes compõem o todo. Deus nada mais é que a soma das partes. Quando uma parte se manifesta é o todo que se manifesta, e de forma alguma o todo pode manifestar-se senão através das partes.
Dizemos superior e inferior porque não temos palavras mais adequadas, porém esta é apenas uma afirmação provisória. Não há superioridade e inferioridade naquilo que é uma só coisa.
Da mesma forma que bem e mal, certo e errado, como os denominamos, nada mais são que conceitos catalogados pelo homem. Se todas essas coisas são experimentos, não existem nelas nem bem e nem mal. Não pode ser um bem ou um mal alguma coisa que o homem pratica, se a pratica.
Bem e mal estão na conceituação que lhes damos e que lhes dão os circunstantes, porque quem os pratica o faz como algo que deseja fazer, ou que propicia fazer, ou sobre o qual tem consciência de que pode acontecer, ou que o situou num lugar ou numa circunstância onde determinado acontecimento tem condições de ocorrer.
O que denominamos bem e mal é algo que está codificado em nós, que figura em nossos registros. Portanto, nada de que não tenhamos informação e conhecimento. Se o que qualificamos de bem ou de mal acontece, isso já estava no inconsciente coletivo, e se mérito por isso houver todos somos merecedores, assim como se alguma culpa tenha que ser atribuída a alguém, por alguma coisa indesejável, todos somos culpados.
O que de bem pensamos – segundo o que conceituamos como bem – e não praticamos, alguém mais sensível o fará por nós. Assim como o que pensamos e desejamos de algo tido como um mal, mas não praticamos, alguém mais propenso e mais vulnerável o fará.
Por isso, nesse condomínio terreno somos todos responsáveis por todas as coisas que acontecem. Os denominados homens bons são os catalisadores das correntes vibratórias chamadas boas, e os qualificados como maus nada mais são que captadores de correntes análogas em contrário. Significando que o mundo pode ser moldado segundo aquilo que a mente coletiva desejar. Em outras palavras, a mente de todos nós.
Por inacreditável que pareça, aquilo que afirmamos se consolida, e o que negamos também. Se nos fixamos na guerra, pró ou contra, a guerra acontece. Se combatemos uma coisa que consideramos um mal, ela tende a cristalizar-se.
Daí se apregoar o que se denomina a prática do amor incondicional, que significa a busca de compreender todas as coisas, como elas são, sem julgamentos e sem caça a supostos culpados. E nos vermos como iguais, não pelo espírito de leis terrenas mas pela compreensão de que somos todos produzidos da mesma substância, e que mesmo em nossa individualidade compomos uma só alma universal.
Quanto mais buscamos punir, mais aquilo que rejeitamos nos outros acontece. Quando os homens desarmarem seus espíritos e deixarem de ser juízes de si próprios e dos outros, a serenidade baixará à Terra, e a humanidade, como que se verá desperta de uma letargia, assim como alguém que, perdido no nevoeiro e sem imaginar que uma clareira existe, porque nunca a conheceu, de repente se encontra nela e aí verá com nitidez a si próprio e a tudo que o cerca. Verá a realidade.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup