Walmor Macarini
Os pais educam os filhos e os avós os estragam. É o que se ouve. Uma inverdade. Se os avós consideram que os netos são os filhos com açúcar então eles os amam mais que os pais, que os amam apenas como filhos mas não com açúcar, o algo mais que só os avós têm.
Tratados sobre educação de filhos, se não forem escritos por idosos têm pouco valor, porque os pais jovens só são bons para gerar e esta é sua função mas não para educar. Porque são crianças como as crianças que geram. Se não sabem educar-se a si próprios não podem educar os filhos.
Uma pessoa nunca fica madura antes dos 50 anos, por isso pais jovens não deveriam ser educadores dos próprios filhos, nem governantes, comandantes de empresas, mentores espirituais, nem professores, a não ser para ensinar coisas técnicas, mas a educação e a orientação para a vida deveriam ser confiadas aos idosos, porque eles têm a sabedoria.
Então, nas escolas, os jovens só ensinariam coisas como ler e escrever, fazer contas, manejar computadores, praticar exercícios físicos, artes manuais. E mesmo assim essas aulas deveriam ocupar menos de dez por cento do tempo, com o resto sendo dedicado ao estudo de humanidades, vida comunitária, comportamento em sociedade, relações com a família, fraternidade, conceituações sobre sexo, solidariedade, política existencial, cidadania, deveres, direitos, responsabilidades.
Avós dos próprios netos são também avós dos netos dos outros, porque compreendem as crianças, e as crianças os compreendem. Pessoas idosas amam as crianças de forma incondicional. E as crianças pressentem isto, porque o amor verdadeiro transborda, imperceptível. Jovens pais, jovens professores, jovens chefes e jovens conselheiros são ainda imaturos, carentes de afirmação, com arroubos de autoritarismo e arrogância e sem a paciência e a tolerância, porque ainda não cultivaram essas virtudes, portanto não as conhecem.
Então, na família os pais jovens gerariam os filhos, cuidariam de prover-lhes o sustento, a saúde, o conforto, mas não deveriam ocupar-se de educá-los para a vida e sim deixar essa tarefa para os idosos. Se os jovens os ensinariam a jogar futebol, os idosos lhes diriam que o jogo é uma festa de alegria e confraternização e não uma disputa de vida e morte.
Para conquistar o amor dos filhos os pais jovens não precisam tê-los como propriedade. Eles não sabem como obter o amor dos filhos porque não sabem ensinar-lhes isto, eis que também não o aprenderam dos idênticos pais jovens e nem sabem cultivá-lo muito entre si, pais-marido-e-mulher que são. Educados pelos idosos os filhos aprenderão a amar os pais jovens, porque libertos das cobranças que estes lhes impõem.
Jovens têm mais apêgo que autêntico amor pelos filhos.
Por que é que todos os netos gostam dos avós? É porque os avós gostam deles, dão-lhe tudo e nada lhes cobram. Está aí o segredo. Os pais não são obrigados a negar e dizer não aos filhos, fazer-lhes cobranças. Se os avós são exemplos de sucesso com os netos, por que os pais não seguem esse exemplo? Nunca se soube, em sã consciência, que avós tenham estragado netos. Esta é uma suposição dos pais que não querem perder a autoridade sobre os filhos, por isso imaginam que precisam ser durões. O que se tem visto com mais frequência embora não se possa afirmar que seja regra são pais estragarem os filhos e ficarem adversários deles. Com avós isso nunca acontece.
As escolas, em todos os níveis, só deveriam ter jovens para os ensinamentos técnicos, que não exijam sabedoria, e os idosos homens e mulheres seriam os anjos de cabeças alvas a ensinar a arte e a ciência da vida.
O mundo daria um salto de qualidade (e todos os avós teriam emprego) quando os jovens descobrirem o tesouro que são essas experimentadas pessoas acima dos 50. Mas não, eles aposentam os idosos, os isolam, tiram-lhes oportunidades de trabalho, mandam-nos para os asilos, pouco conversam com eles. Porque, na concepção dos jovens, eles já eram.
Nenhum governante, comandante de empresa, educador, deveria exercer essas tarefas antes dos 50 anos. Mas há pouco lugar para os velhos nesses postos, porque eles são velhos... Inibidos, e sob pressão do meio, aceitam a rejeição, cedendo lugar aos jovens, porque foram ensinados a crer que devem descansar e que não servem mais.
E assim a sociedade desperdiça um riquíssimo manancial de sabedoria que são estes nossos avós, porque se diz eles não têm mais o vigor dos moços. Ora, este vigor pode ser plenamente aproveitado sob a orientação dos idosos.
Todos os jovens terão a oportunidade de ser comandantes, capitães de empresas, educadores, governantes. Bastará chegarem aos 50 anos.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





