O ano se encerra, as empresas fazem balanços e analisam desempenhos, as pessoas avaliam os bens que adquiriram, as perdas que tiveram, quanto ficaram mais ricas ou mais pobres. Muitas se queixam que não fizeram grandes progressos, que tudo continuou do mesmo tamanho, com o dinheiro sempre escasso. O dinheiro é sempre o modulador, porque é certo que se por si só não faz a pessoa feliz, facilita bastante...
Meu amigo Leonel sempre disse que é melhor ser rico com saúde do que pobre e doente.
Há várias categorias de pobres e de ricos: há os pobres caídos, que já não têm força para erguer-se, e a estes precisamos estender a mão. Há os pobres por opção, que vivem felizes. Dinheiro não lhes trará felicidade, pois já a têm. Há os pobres ideológicos, que culpam os ricos pela pobreza do mundo, e a estes só basta ficarem ricos que aí já não culparão ninguém. Há os pobres raivosos, que odeiam os ricos, e por isso precisam despertar para o entendimento e alcançar a iluminação. E há os pobres que se pensam pobres por desígnio divino, e estes são os mais pobres dos pobres.
Entre os ricos, há os que acumulam dinheiro, não o gastam, amealham bens e não lhes dão função, e estes são os pobres homens ricos. Há os ricos cruéis, que através da riqueza semeiam guerras e vícios, dominam pessoas e disseminam desgraças. Estes são ricos que precisam de muita ajuda, sobretudo espiritual. E há os que criam riqueza e através dela semeiam mais riqueza, envolvendo muitas pessoas nessa roda da fortuna. Estes são os ricos que engrandecem a Terra.
A pessoa que fica contente quando sabe de alguém que está ganhando bom dinheiro com seus negócios, é fadada a também ser rica, se isto for de sua vontade, pois não está em conflito com a riqueza e sim em harmonia com ela.
Se nem todos os pobres são bons, nem todos os ricos são maus, e de qualquer forma eles existem para cumprir seus próprios desígnios. Alguns servem como amostragem a nos indicar que estes são modelos que não devemos imitar.
Se destruímos os ricos acabamos implantando a pobreza e a miséria social, pois sem a ousadia dos empreendedores não haveria empregos, e a humanidade pereceria. Há os que ousam e implantam, e há os que servem para carregar as pedras...
Se a pessoa amaldiçoa o rico nunca será rica, pois ninguém alcança aquilo que rejeita. Se o louva, entra na mesma frequência dele, e é ali que mora a riqueza. As respostas chegam de diversas maneiras. Se alguém pede água pode lhe chegar uma pá, e com ela cava um poço e a encontra; se pede uma casa pode lhe chegar um bom emprego; se pede um carro, de repente é contratado para ser motorista, e no comando do veículo vai exercitando a idéia de ter o próprio, e assim quando menos espera lhe surge a oportunidade de comprar um, porque sua mente está fixada nele; pede a saúde e alguém lhe sugere um remédio; pede uma orientação, e sua intuição traz a resposta.
Quando entramos na vibração daquilo que queremos, essa coisa se manifesta.
Se a pessoa diz que tem fé mas as coisas não lhe chegam, de um lado afirma e de outro nega. Dizer ‘‘se Deus quiser’’ é duvidar, porque ‘‘se’’ é condicional. Temos que dizer que Deus quer. A vontade do homem é a vontade de Deus, assim como a vontade de Deus é a vontade do homem, e esse poder não tem condicionantes. Nem pedir se deve, pois isto significa declarar que aquilo que se pede está faltando. Admitir que já se tem, este o caminho, porque o mais – que já está pronto e disposto – se opera, eis que o homem aciona Deus, que está dentro dele, e assim as coisas acontecem. ‘‘Seja feita a vontade de Deus’’, como se diz, significa ‘‘exerça-se o poder de Deus em mim’’.
‘‘O que eu faço vós também fareis, e ainda melhor’’ – garantiu-nos o Mestre, a nos indicar que podemos caminhar pelos nossos passos, assim como ele, e que somos nossos próprios salvadores, eis que carregamos conosco a salvação, por herança divina. Ele ensinou estas coisas, mas as pessoas, ao invés de seguir o ensinamento resolveram venerá-lo, e montaram em suas costas para serem carregadas. E ele se entristeceu, porque só o adoraram e não o compreenderam.
Se a pessoa imagina que Deus é um ser à parte, que irá acionar uma alavanca e realizar as coisas que ela quer, nunca verá nada acontecer. Ou não teria razão o ensinamento que diz ‘‘peça e receberás’’, no sentido de ‘‘movimente, que as coisas acontecem’’, ‘‘bata e a porta se abrirᒒ, ou, em outras palavras, ‘‘sintonize-se na convicção de que em cada um habita o poder imanente de Deus, e todas as portas se abrirão’’.
Cada vez que acionamos esse poder em nós robustecemos Deus e nos robustecemos. Sem o homem e todos os seres e todas as coisas, Deus não seria.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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