Quando Silvio Santos pergunta, aos candidatos do seu ‘‘Show do Milhão’’, quanto querem ganhar, a maioria responde que qualquer coisa serve, que o que vier está bom. A oferta é de R$ 1 milhão, mas eles se contentam com um dinheirinho para reformar a casa velha, ou no máximo comprar um apartamento, quem sabe também um carro. E, quando perguntados, dão o limite do valor, que é baixo. Parece que eles têm dó do pobrezinho dono do Baú. Que não está nem aí, porque o show dele é do milhão...
Esses candidatos, geralmente, saem do programa apenas com uns trocados, até pelo baixo padrão de cultura, mas a pobreza não está apenas em seus poucos conhecimentos e sim na mentalidade que rejeita o milhão, se há oportunidade de ganhá-lo. Digamos que, até por adivinhação, poderiam acertar todas as respostas e sair com a maleta cheia de ouro, se ao menos tivessem um pouco de fé e não fossem tão adversários de si próprios, em sua aparente humildade. Já aqueles mais ousados, que declaram querer o milhão, no mais das vezes saem do programa com as maletas de maior valor.
É assim também no dia-a-dia da vida. Até nos seus clamores aos céus, quando se trata de dinheiro, as pessoas só pedem um pouco, como que envergonhadas de pedir logo muitos milhões. Devem imaginar que, pedindo muito, esvaziam os cofres da provisão divina... Mas não é lá o lugar de toda glória e riqueza? É, mas as pessoas só o proclamam quando estão fazendo suas preces, porém não crêem e nem se julgam merecedoras. Devem pensar que, quando para lá voltarem, encontrarão o saldo credor do que não pediram.
As pessoas mais amaldiçoam do que amam o dinheiro, dizendo que é coisa do demônio. Então, se decretam que é dele, ele o leva embora e dá graças a Deus...
Quando perguntamos a alguém como vão as coisas, as respostas já vêm prontas: ‘‘Está difícil’’, e aí as coisas ficam difíceis, pelo poder criador da palavra e da convicção; ‘‘estamos na luta’’, e aí imaginamos a pessoa esgrimando, em combate, porque ela disse que está em luta, quando poderia estar em harmonia; ‘‘estamos atrás do maldito dinheiro’’, e o dinheiro sentindo-se maldito, rejeitado, se afasta.
Se as pessoas querem dinheiro, devem entrar em acordo com ele. Isto não significa se escravizar, matar e morrer por ele, mas aceitá-lo harmoniosamente, tratá-lo com respeito, porque ele é resultado do trabalho. O dinheiro tem a mesma dignidade de todas as coisas, e temos que ser reverentes com essas coisas todas que nos servem, porque nada há sobre a face da Terra que não tenha serventia e não tenha sido feito com uma função.
Dinheiro não deve ser um fim, mas um meio, então buscar a obtenção desse meio está de acordo com a vida.
As pessoas não policiam suas próprias palavras e costumam amaldiçoar o pouco salário que ganham, o emprego, a empresa onde trabalham, e assim vão robustecendo a corrente vibratória da escassez e das dificuldades, e acabam atraindo coisas ruins para seu redor. Se ficam sintonizadas na escassez afastam a abundância, quando deveria ser o contrário. Quantas vezes já não as ouvimos dizer, diante de um bem que acham fantástico: ‘‘Bonito, mas não é para mim.’’ Então, se já o negam, a vida não lhe dará esse bem.
Existem duas formas de espantar o dinheiro. Uma é achar que ele está longe do nosso alcance, outra é alcançá-lo e acumulá-lo, segurando-o com medo de gastá-lo, porque assim, espremido - ele que foi feito para girar - tentará escapar das mãos que o prendem.
As pessoas costumam invejar os sucessos alheios e imaginam que os ricos obtiveram riqueza por alguma forma desonesta. Se alguns casos existem, com absoluta certeza são a minoria. O que ocorre é que pessoas com fé em si mesmas e crentes de que a riqueza existe para todos, foram buscá-la, muito mais com a convicção do que com o esforço físico.
Riqueza é uma questão de sintonizar-se e se harmonizar com ela, abrir os braços e a mente, a todo momento, agradecendo pelas dádivas que temos (e nem percebemos) e proclamar bem-vindas as coisas boas, dinheiro incluído. Deus quer que façamos isto. Se batemos, a porta se abre. Bater não significa pedir, mas aceitar o que, naturalmente, já está posto, e à nossa disposição.
Sorte e azar não existem, mas se nos imaginarmos sortudos atrairemos as coisas da sorte, e se nos proclamarmos azarados entraremos na frequência das coisas do azar.
Na revista ‘‘Exame’’, que não é nada mística, o consultor norte-americano Michael Fairbanks diz que ‘‘tudo está na cabeça das pessoas’’. É também dele a advertência, referindo-se ao nosso país, de que ‘‘a mentalidade negativa é o principal obstáculo ao desenvolvimento de países como o Brasil’’.
Aqui as pessoas pronunciam demais o ‘‘inho’’. Dinheirinho, terreninho, apartamentinho, e por aí vai, e então tudo quanto é ‘‘inho’’ aparece...
Resumindo, o homem tem que se conscientizar de que a riqueza é possível e que ele é um dos eleitos para possuí-la. Pode ser virtuoso o pobre, mas não há virtude na pobreza.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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