Pedem-me os leitores mais ortodoxos que eu abandone os escritos sobre as coisas do cotidiano, de que a grande maioria já fala pelos jornais e outras publicações, e que volte ao que eles consideram minha linha mais edificante e confortadora.
Manter os pés no chão – porque aqui é o lugar dos pés – mas nada impedindo projetar a mente na direção das estrelas... As pessoas, me parece, estão fartas das informações aborrecedoras que lhes chegam diariamente pelos mais diversos meios de comunicação, onde há coisas boas, mas, infelizmente, muito mais de abominável e totalmente dispensável, que em nada as enriquece, porém, ao contrário, causa-lhes dano e uma indução à deprimência e ao negativismo.
É certo que ‘‘o homem se move na direção de seus pensamentos’’ e é induzido pelo que vê e ouve. Imagens de violência causam-lhe depressão, não sendo verdadeiro que ele assiste a tudo com naturalidade e indiferença. Ele pode até crer que sim, mas os resíduos ficam e vão se acumulando em seu inconsciente. Manifestações de ódio atraem ódio, idéias de doença atraem doença, idéias de infortúnio atraem infortúnio. Idéias individuais de escassez atraem escassez, ao tempo em que reforçam a mente coletiva da escassez. Assim como idéias de riqueza, material ou espiritual, de amor, de não-agressão, de não-revide, atraem esses atributos e vão robustecendo a mente coletiva com sentimentos idênticos. Da mesma forma que a busca serena e consciente da verdade – já inerente e imanente no homem, porém inerte e adormecida – reacende nele as luzes do poder, do amor e da sabedoria.
Todas as coisas do Universo são comandadas por um princípio único, que está presente em tudo. Pode ser chamado Mente Universal, Fonte Suprema, Superconsciência, o Todo Absoluto, a Grande Vida, ou outra denominação semelhante que se queira. Os homens preferiram dizer Deus. Uma vez sintonizada com o canal que a conecta a esse poder supremo, nossa substância sutil funde-se a essa inteligência superior, compondo a grande unicidade cósmica, e assim, todas as respostas ᖠque já estão prontas – nos chegam. De diferentes formas, que pode ser uma mensagem perfeitamente audível – um dom de poucos – porém mais frequentemente através da intuição, o que é comum a todos, bastando estar atento.
Preso ao seu eu menor, que é o da personalidade, o homem perdeu a memória de sua origem imortal – o seu substancial eterno – e julga-se apartado, inferior, cheio de culpas e sem merecimento. Comete aí a contradição de louvar seu Criador, e ao mesmo tempo negá-lo ao crer-se imperfeito.
Deus perfeito não haveria de criar uma obra imperfeita, e se negamos a obra negamos o autor. Os homens não são felizes porque se julgam imperfeitos, e como tal se autopunem, e por considerar a todos imperfeitos punem-se entre si e se agridem.
Conceitos de bem e de mal, de prêmio e castigo, não têm registro na consciência de Deus. A denominada recompensa pelo que qualificamos de bons atos nada mais será que o reencontro do caminho de ‘‘volta para casa’’, o retorno à morada de onde viemos antes de ancorar neste Planeta.
Porque não temos a idade dos nossos anos...
E se acreditarmos em castigo pelos nossos supostos pecados, tal castigo será o tempo que demorarmos para compreender a verdade sobre quem somos, e então, nesse inferno de dúvidas, perdemos tempo e nos retardamos na caminhada, com todos os ‘‘incidentes de percurso’’ daí decorrentes, sofrimentos incluídos.
As manifestações da carne não invalidam a divindade do ser. Eis que a carne não é o ser. Não salvará o homem a carne, porque a carne é o nada, e não salvará o homem o espírito, porque o espírito já é salvo. Olhe o homem para dentro de si, e considere-se com todos os atributos de Deus.
Conhecermos a nós mesmos será saber que não somos como nos vemos em nossa fisicalidade – porque esta é a temporária ilusão – mas sim que somos seres supradimensionais. Não precisamos nos prostrar em louvação às divindades em quem depositamos fé, pois não reside nelas registros que as sensibilizem com louvores, eis que disto não precisam. Temos que louvar o divino que existe em nós e em toda a Grande Vida, e então louvamos a tudo. Agradecer pelo que somos e por todas as coisas ‘‘do céu e da terra’’, este o caminho, e por ele encontraremos Deus. Não o Deus dogmático apregoado sob as abóbadas, colocado distante e a quem nos ensinam a temer, mas o Deus que existe dentro de nós, portanto próximo e inerente.
Deus e o homem, e tudo o que está sob e além do sol e das estrelas, são uma só coisa, um só pensamento, uma só vida. Conscientizando-se disto, o homem terá conhecido a si mesmo, e se tornará livre.
Crer que encerramos em nós todos os atributos da divindade, eis aí a chave. Deus não é um ser à parte da Criação, mas é todo o conjunto da Criação. Portanto o homem, em sua substância essencial, é Deus, porque o compõe. E se compõe Deus, não é um ser inferior, não há pecado nele, porque não há pecado em Deus.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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