Walmor Macarini
Por estar 45 anos dentro deste jornal, e por conhecer, como poucos, a sua história e a sua linha editorial, posso afirmar que o vereador Jorge Samek, coordenador-geral da campanha de Ângelo Vanhoni (PT) à Prefeitura de Curitiba, cometeu uma leviandade ao insinuar que a Pesquisa Folha teria sido vendida ao publicar a vantagem de Cassio Taniguchi sobre o candidato petista.
Quando Vanhoni estava na dianteira, tudo era normal e o instituto de pesquisa do jornal estava certo; quando as coisas se inverteram, aí o jornal se vendeu...
Independente do resultado que se manifestar nas urnas neste domingo, os números da pesquisa refletem a realidade colhida no universo dos eleitores pesquisados em determinado momento.
Esta empresa jornalística, pelo que testemunhei no passado e posso testemunhar agora, não usufruirá de benesses nem sofrerá prejuízos com a eleição de um ou outro candidato, tanto em Curitiba como em Londrina, Maringá e outros municípios onde o pleito se definiu no primeiro turno.
Então, soa leviana a afirmação de Jorge Samek, petista histórico em Curitiba e coordenador da campanha do candidato de seu partido. Melhor fora se ele buscasse saber quais as razões que levaram os eleitores a redefinir-se e eventualmente mudar de posição, o que sempre ocorre nos dias decisivos que antecedem uma eleição.
Por que não avaliar se pode ter havido incompetência do comando ao supor transposta a travessia do primeiro turno e ante a euforia dos resultados obtidos que tudo já estava definido e a eleição já estava ganha?
O descontentamento popular ante a desastrada política de governo do presidente Fernando Henrique estimulou os ânimos populares a optar pelos candidatos da oposição, e o PT desponta como o grande beneficiário disto, em destacadas capitais e em outras importantes cidades brasileiras. O fenômeno é nacional, e não porque as ideologias das esquerdas tenham chegado com alguma proposta nova, mas porque o povo já está farto da arrogância de FHC, de suas ironias e de seus deboches, e ademais porque ele, literalmente, sempre administrou de costas para o Brasil. E uma forma de o povo expressar a sua revolta é votando contra os candidatos que se vinculam ao sistema.
Porém, se este é um fato, o destempero de Jorge Samek é uma agressão. Ele conhece bem a história passada e presente desta empresa jornalística, e ao afirmar que o instituto de pesquisa deste jornal está fazendo picaretagem, agride a integridade de uma instituição com 52 anos de existência, cujos diretores do passado nunca tiveram vinculação político-partidária e nem a têm os de agora.
Estamos a apenas três dias da eleição de segundo turno, e é agora que vai se modificando a posição dos eleitores ainda indecisos, e consolidando-se a dos mais convictos. Então, o resultado da pesquisa que hoje se publica pode, sim, sofrer alterações como veio se alterando de alguns dias para cá mas os números da tendência do eleitorado são aqueles que publicamos, queira ou não o coordenador Jorge Samek. A amostragem deveria servir-lhe de alerta e não para extravasamento de iras levianas e assaques irresponsáveis.
Não se crê que a postura de Samek, com relação à Folha, seja a mesma do PT. O que se imagina é que, a esta altura, o partido esteja, sim, cobrando mais eficiência e mais resultados de parte de seu coordenador de campanha!
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





