Walmor Macarini
Walmor Macarini
Gastança é sabedoria, poupança é atraso. E o que é gastança? É gastar com constância. É não ser mesquinho. Gastança não é desperdiçar dinheiro, não é gastá-lo com o desnecessário. Não é comprar tudo o que se vê, porque aí acabamos comprando inutilidades, que só farão entulhar nossos depósitos de quinquilharias. Naturalmente que a inutilidade para um pode ser de grande serventia para outro, então deixemos que o outro a adquira.
A impulsão para comprar não tem suporte na sabedoria. Porém deixar de adquirir determinada coisa de que temos necessidade, só pelo intuito de economizar, colocando o dinheiro na caderneta de poupança e dessa forma aprisionando-o, isto é de sabedoria nenhuma.
Gastar sem critério é desperdício, e dinheiro não suporta isto. Mas gastar com regularidade, sem mesquinhez, sem ficar com pena de ver o dinheiro saindo de nossas mãos quando pagamos uma conta ou adquirimos algo que nos falta, esta é a fórmula sábia. Temos que imaginar, tal como uma religião, que somos donos de toda a provisão, e que ela é infinita.
Fixar a mente em idéias de escassez e de limitação é acionar as rodas da pobreza.
Em qualquer situação que nos encontremos, temos que proclamar o dinheiro bem-vindo e bem-indo, no sentido de que o aceitamos mas que também o liberamos na exata necessidade, para que faça o seu giro, semeando riqueza e beneficiando a outros lá na frente.
Dinheiro não pode ser amassado e danificado, porque, ademais, dinheiro custa dinheiro... Agora vão fazê-lo de plástico, e a Casa da Moeda diz que é um experimento, para ver se o povo vai gostar. Se o povo vai gostar? De papel, de plástico, até de palha de milho, de dinheiro o povo sempre vai gostar!
Dinheiro gosta de afago, gosta que o contemos, mesmo que não haja necessidade; gosta que o coloquemos ordenadamente na carteira, as notas mais altas primeiro e na sequência as de menor valor, na mesma ordem, a efígie para cima. Não nos esqueçamos de endireitar as pontinhas dobradas, e ler algo muito interessante que está estampado nas notas: Deus seja louvado.
Não podemos manusear o papel-moeda com displicência, nem pegar o troco e enfiá-lo amarrotado bolso a dentro. Mesmo que a moeda seja de 1 centavo, ela deve ser considerada, pois quem não valoriza o tostão não valoriza o milhão. Não se deve desprezar o dinheiro. Porque, se ele chegou mais fácil às mãos de alguns, custou sacrifício para outros, em verdade a maioria. Se é digno nosso trabalho, é digno o dinheiro decorrente dele.
No Brasil, hoje, vivemos um momento de grande depressão, todos se lamuriando pela falta de dinheiro. Ora, isto impregnou-se na mente coletiva, e idéias de escassez realimentam a escassez. É preciso desatar estes nós. Começando por mudar os paradigmas, mudando a mentalidade, tomando medidas que revertam essa corrente, e tanto elas devem partir do governo como da sociedade.
Se a moeda circulante, em nosso país, foi sempre a mesma (com pequenas variações), porque tivemos épocas de prosperidade e épocas de estagnação? Simples: porque tivemos épocas em que a moeda circulou e épocas que não. Agora vivemos um tempo em que o dinheiro não está circulando, está parado, ou muito devagar. E onde está? Sobretudo em poder dos bancos, que pagam barato por ele e o reemprestam muito caro, então a circulação estanca e assim se estancam os negócios.
Cunhou-se o sofisma (algo falso com aparência de verdadeiro) de que os bancos têm semeado o desenvolvimento. Um redondo equívoco. O dinheiro, e sempre este, semeou o desenvolvimento, nunca os bancos. Ocorre que o dinheiro sempre esteve nas mãos deles... Se o dinheiro estivesse sob o controle dos ladrões e eles fossem os emprestadores, diríamos da mesma forma equivocada que os ladrões seriam os agentes do desenvolvimento... Outro grande detentor (melhor seria dizer controlador) do dinheiro é o próprio governo, que no Brasil exerce a função de megaempresário, pois tudo o que é fundamental está em suas mãos. E governo sempre foi mau patrão, porque incompetente e desperdiçador.
Mas voltemos ao amor ao dinheiro. Apesar do governo e dos bancos, não podemos imaginar escassez, porque isto bloqueia o fluxo da riqueza. Dinheiro não tem consciência dirão mas ocorre que nós temos... Porque tudo o que fazemos com ele, a forma como o tratamos, a destinação que lhe damos, a crença que temos nele, caracterizam sempre uma emanação de vontade, de anseio, de expectativa, de humor, e isto tem poder, irradia-se em nosso meio e se propaga.
No mais das vezes, quando nos referimos a este nosso íntimo amigo, o denominamos o maldito dinheiro. Pode ser que nem o façamos com maldade, é só força de expressão, mas por que não usar a mesma força de expressão e denominá-lo bendito?! Gastaremos a mesma energia e os resultados serão outros! Desprezamos muito o poder criador da palavra, porém, se escutarmos melhor o que falamos, evitaremos metade do praguejamento nosso de cada dia e com certeza criaremos ao nosso redor um campo vibratório muito mais positivo e agradável.
Coisas ruins não penetram em campo carregado de positivismo, e em contrapartida as boas encontram aí seu habitat e fazem a festa...
Se queremos dinheiro temos que nos harmonizar com ele. Só esforço físico nunca fez ninguém rico.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





