Walmor Macarini




Novo aeroporto em lugar errado
Depois do primeiro erro que a comunidade londrinense cometeu – imprensa incluída – ao permitir que a administração municipal dilapidasse o patrimônio público vendendo 45% das ações da sua companhia telefônica, e do segundo erro que foi não fiscalizar o destino dos R$ 186 milhões resultantes dessa venda (só sobraram R$ 5 milhões, eis que R$ 181 milhões derreteram como sorvete), agora se anuncia que a prefeitura está designando uma área de 248 alqueires, ‘‘dentro da cidade’’, para implantação do novo aeroporto, já denominado de ‘‘internacional.’’
Falamos ‘‘dentro da cidade’’ porque essa área localiza-se no Patrimônio Espírito Santo, e esse local – para que saibam os leitores de fora – fica a apenas 5 minutos do ponto central da cidade, em automóvel.
A notícia, publicada no último dia 8 na Folha, não deixa dúvidas: uma equipe do Instituto de Aviação Civil (IAC) esteve em Londrina e já vistoriou a área, a pedido da prefeitura. E a achou ótima, em princípio, porque (coisa estranha!) localiza-se ‘‘paralela à cidade’’, ou (explicação nossa) dentro da cidade.
Como se vê, querem tirar o aeroporto de ‘‘dentro da cidade’’ para colocá-lo, de novo, ‘‘dentro da cidade’’.
Porém o grave não é isto apenas, e sim que essa região do projetado novo aeroporto é o único corredor que restou para expansão da cidade no sentido de grandes projetos condominiais, de grandes espaços de lazer e empreendimentos afins. Tanto que há nessa área duas reservas florestais, uma pequena, logo atrás do Shopping Catuaí, e a Mata dos Godoy, de 675 hectares. Sabiam disto as administrações anteriores, tanto que preservaram essa zona evitando a implantação de conjuntos residenciais populares.
Nada contra esses conjuntos – porque sem eles as famílias pobres não teriam casa própria – mas a cidade precisa ter espaços para todos os seus planos de futuro, e a vocação dessa zona oeste da cidade (a do planejado aeroporto) é para condomínios de melhor padrão e destinação mais sofisticada.
Vamos deixar de frescuras populistas e encarar a verdade: Londrina tem que ter um canal de expansão para os projetos de maior padrão, e a região oeste é a única que restou para esse fim.
Aeroporto, com todos os benefícios que traz, estrangula qualquer crescimento ao seu redor. Nas áreas circunvizinhas até as galinhas deixam de pôr ovo... Por causa do ruído dos jatos.
Por uma razão nunca compreendida, as cidades crescem no sentido do poente. Seguem o sentido do sol. Se observarmos bem, também Londrina tem se expandido nessa direção. Mas um obstáculo do tamanho de um aeroporto, justamente no rumo do pôr do sol, pode quebrar esse determinismo histórico.
Pergunta-se: esta área de 248 alqueires pertence à prefeitura? E se for particular, terá que ser adquirida? E com que dinheiro?
E a Câmara de Vereadores, está acompanhando esse processo?
Ora, a comunidade precisa ser consultada. No ano passado, todos se lembram, a prefeitura já estava doando um pedaço do Lago Igapó para um empreendimento particular. Denunciamos em tempo o fato, os segmentos conscientes da cidade mobilizaram-se e o negócio foi abortado.
Cedo ou tarde um aeroporto internacional terá que ser construído – e antes cedo do que tarde – mas não precisa ser na zona suburbana de Londrina. Já se falou que esse aeroporto se localizaria próximo do distrito de São Luiz (para os leitores de fora, esse lugar fica a 30 quilômetros do centro), e esta seria a localização ideal, porém nada impede que um tal aeroporto se situe fora do município de Londrina, talvez num ponto intermediário entre esta cidade e Maringá. Tratando-se de aeroporto internacional – importante também no contexto estratégico do Mercosul – há que se pensar em termos de região e não apenas de Londrina, ademais para dividir encargos.
Os técnicos do IAC destacam que a zona escolhida pela Prefeitura de Londrina é boa porque não tem construções nas cabeceiras das pistas. Isto significa que as futuras construções (eis que Londrina não parará de crescer) pularão por cima do aeroporto e acabarão situando-o de novo, e muito breve, dentro de uma zona urbana. Ficará do jeito que está hoje.
Será que os técnicos do Instituto de Aviação Civil atentaram para isto? Eles certamente não conhecem Londrina e ignoram que esta cidade nunca estancou seu crescimento. Tanto que já reclama um novo aeroporto. E internacional, o que quer dizer linhas regulares (de passageiros e cargas) para fora do País, a partir daqui. Ademais, porque o grosso do transporte das cargas ‘‘limpas’’ de grandes distâncias, no futuro que já está chegando, se fará por via aérea, como já acontece em grande escala nos Estados Unidos. Eis que se o avião pode fazer mais rápido, mais seguro e mais barato, se dispensará o caminhão.
A intenção deste alerta que faço é chamar a atenção da comunidade para outra insensatez que se avizinha, esta da localização do novo aeroporto de Londrina.
Convém melhor informar os técnicos do Instituto de Aviação Civil e chamar o prefeito às falas, antes que mais barbaridades aconteçam.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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