Walmor Macarini
Riqueza é para quem a quer
Walmor Macarini
Não é errado desejar a riqueza e as melhores coisas. Geralmente a pessoa sonha com uma casa bonita, mas logo diz: Não tenho dinheiro, isto não é para mim. Então não será, porque ela é a primeira a decretar que não. Vê um belo carro, chega a imaginar que poderia ter um igual, mas afirma: Não tenho condições. Com tal decreto, não terá mesmo. E há o que diz: Ainda terei um destes. Já é melhor esta posição, mas ainda assim afirma terei, e terei é um tempo de verbo do futuro. Hoje ele afirma terei, amanhã de novo, assim no mês seguinte, e dessa forma o carro vai sempre sendo empurrado para a frente...
Melhor é crer e dizer: Eu quero um carro igual a este para mim, e já o tenho. Como que avançando no futuro. E vendo-se dentro do carro, pilotando-o. Se esta imagem e afirmação se estribam na convicção, cria-se a realidade.
Se negamos que algo é possível, interrompemos o fluxo.
O mal é que no mais das vezes não nos achamos merecedores de determinadas coisas. Se achamos isto, então as leis do universo concordam... Nem sorte nem azar existem, mas ao decretar a má sorte, a criamos, pelo poder da crença e da palavra.
Desejar ter dinheiro (ou bastante dinheiro) não é egoísmo. A lei cósmica não avalia somas, não tem um conceito sobre valores e anseios. Por isso, querer muito ou querer pouco é apenas uma questão de medida. Não é ganância desejar muito, como não é modéstia desejar pouco. Os bens terrenos foram feitos para serem usufruidos.
Deus não lê Quatro Rodas e não Lhe faz diferença um Rolls Royce ou um Fiat 147... Em seu pátio existem todas as marcas e cada qual que pegue aquele que quer.
Não deve ser bom obter dinheiro afanando-o dos outros, nem utilizá-lo para fins excusos, porque ocorre que aí, junto com a roda do desejo de ganhá-lo, movemos também a roda das energias obscuras e nos envolvemos nesse redemoinho, entramos por caminhos de penumbra, esbarramos na escuridão e aí acidentes podem ocorrer...
Se temos um conceito de obter riqueza com a mente expandida de semear mais riqueza, movemos as energias da riqueza gerando mais riqueza. A riqueza tem um compartimento e reside lá. Se abrimos a porta deste compartimento, lá iremos encontrá-la. Se o nosso conceito é o de obter riqueza movidos pela ganância, pelo desejo de apenas acumular riqueza, vamos obtê-la da mesma forma, porém, também estaremos mexendo com as vibrações das sombras da ganância, e lá habitam igualmente os morcegos da ganância e eles passarão a voejar ao nosso redor...
O amor, a benemerência, a solidariedade, a ira, a inveja, a arrogância, cada um desses atributos habita em sua casinhola própria. Está em nós abrirmos a casinhola que desejarmos. Porém ao movermos uma energia, boa ou má, ela vai ressoar na fonte mas retorna sobre nós, decuplicada. Porque esta é a lei do universo.
Pode ser mais nobre o homem rico, que habita um palácio, do que o pobre que reside no casebre. Quem sabe o rico desejou com plena convicção a opulência, semeou riqueza beneficiando a muitos; quem sabe consciente de que os bens são direito de todos; quem sabe nunca invejou ninguém, nem os outros ricos, nem nunca quis superá-los, nem tripudiou sobre os demais pela sua glória; um homem que apenas aceitou usufruir dos bens que a Natureza Divina dispôs.
Enquanto o outro, eventualmente, pode ter apenas desejado a riqueza mas recusou-se a aceitá-la, mergulhou-se em sua própria descrença, invejou o rico, odiou seu sucesso, arremessou-lhe pensamentos de revolta. Este chafurdará em sua pobreza mental e continuará trilhando pelos caminhos tortuosos da miséria. Não por punição divina mas porque sua mente decreta.
Há ricos felizes e há ricos infelizes, assim como pobres muito felizes e pobres infelizes. Não há uma regra estabelecida para estas duas condições. Ouve-se, com frequência, que fulano é rico mas deve ser infeliz. Às vezes tal conceito pode apenas estar revelando o desejo velado de quem o afirma... E imaginar que todo pobre é carente e sofrido, pode também não ser a absoluta realidade, porque a riqueza material eventualmente não seja o anseio de sua vida, eis que ele pode estar vivendo em plena felicidade e assim desejou ser, sem invejar o rico e nem ninguém. E nem achar que foi vontade de Deus, que aí não será consciência mas conformismo, e conformismo é diferente de harmonia.
Tudo fica natural se somos naturais. E se somos naturais não sofremos. E o que é ser natural? É viver em harmonia com todas as coisas, mesmo as rotuladas de imperfeitas. Compreender. Isto não invalida o empenho para ajudar o fraco e induzi-lo a modificar seu paradigma. Será mais fecundo conscientizá-lo, para que caminhe pelas próprias pernas, do que incitá-lo a tomar de outrem, porque isto pode não ser amor ao pobre, mas ódio do rico...
Uma coisa é certa: é ruim odiar, é ruim odiar o semelhante, é ruim odiar o rico, porque se o odiamos, também odiamos a sua riqueza; e se a odiamos nos outros, ela se afastará de nós. Se for rico o homem, que importa? Deixemos o rico com sua riqueza! Ele se achou merecedor e pegou o pedaço que lhe cabia. Não se ameniza a pobreza estando em conflito com a riqueza. Que cada qual aceite e busque a sua parte na riqueza. Ela está disponível.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





