Algumas pessoas pedem que eu explique melhor a exaltação que faço da sublimidade do homem, este ser que, aos olhos da compreensão humana, ainda não foi bem explicado...
O homem não é o seu corpo físico, é o seu corpo espiritual. E como ser espiritual, etérico, preexistente à sua ancoragem nesta dimensão terrena, precisou de um instrumento da mesma intensidade vibratória deste planeta para poder manifestar-se aqui: um corpo carnal. Assim como a onda de rádio, também etérica e preexistente, precisou do aparelho receptor para manifestar-se; como a microonda precisou do telefone; como a usina geradora precisou da lâmpada para manifestar a luz.
Tudo no universo se compõe de átomos, cujos elétrons giram em diferentes velocidades. Na composição atômica das coisas terrenas, os elétrons movem-se na velocidade da terceira dimensão (esta em que nos encontramos). Nas dimensões mais elevadas, progressivamente, os elétrons giram em velocidades cada vez maiores, por isso que não podemos captar as imagens desses planos. Para que enxergássemos e ouvíssemos as divindades, teríamos que vibrar na mesma ressonância magnética delas. Ou, em outras palavras, na mesma frequência, no mesmo nível de consciência. Da mesma forma como nós, em grande maioria, não enxergamos as luzes e raios multicores carregados de energias regeneradoras e transmutadoras que enchem os espaços e se interpenetram, interpenetrando também a matéria densa e por extensão a nossa fisicalidade.
Por isso que, com nossos olhos carnais, também não vemos a nós próprios. Apenas vemos nosso corpo físico, não nossa essência, que é um corpo sutil vibrando em frequência mais alta. Este o nosso eu verdadeiro. Nosso ‘‘eu falso’’, que é o corpo físico, de vivência temporal, seria algo como a imagem gravada de alguém que vemos na televisão: é a pessoa, mas não é a original e sim apenas um reflexo dela.
Diz-se que o corpo abriga o espírito, o que não é de todo inverídico, eis que o espírito se ancora nele para poder manifestar-se aqui, mas o real é que o espírito envolve o corpo, até porque maior em sua dimensão. Sintetiza-se na limitação e dimensionalidade carnal para poder realizar sua vivenciação terrena.
Em verdade nos compomos de várias densidades corpóreas - no mínimo sete, sendo quatro inferiores e três superiores - fazendo lembrar aquelas bonequinhas russas, que vão diminuindo de tamanho e são guardadas uma dentro da outra. Na medida de nosso avanço evolutivo, iremos nos despojando desses suportes, até que só reste a mais sutil forma de nosso corpo espiritual.
E por que, se somos espírito na plenitude, estamos aqui na Terra, aparentemente aprisionados nos limites desta densidade? Porque assim desejamos, foi nosso propósito, para cooperar com os planos da Criação na divinização deste planeta. Faz algum tempinho que estamos aqui. Alguns milhões de anos... Diríamos que, quando contamos a história dos antepassados, contamos uma boa parte de nossa própria história... E se nos multiplicamos foi porque, em meio à caminhada, outros tantos vieram chegando, das mais diversas origens planetárias, e essa emigração ainda continua, porque este é também um lugar de aprendizado, enquanto muitos ascensionaram para as paragens mais elevadas. São os que agora nos dão assistência, até que tudo se cumpra.
E se vibramos em outra dimensão, por que a alguns é permitido penetrar no desconhecido? Não que dependa de permissão ou não. Tal é possível ao que, consciente e sereno, identifica-se nessa realidade e nessa plenitude, não significando que seja mais divinal que os outros. É uma pura questão de sintonia, um atributo inerente a cada um. Basta que se despregue da crença arraigada de que é regido pela razão e pela lógica de sua personalidade, irresponsavelmente deixando que a questão de sua espiritualidade vá ficando para depois... A pureza das crianças estabelece facilmente conexões com o denominado universo invisível. Se prestarmos mais atenção aos nossos pequenos, perceberemos. Eles próprios nem conseguem fazer distinções, pela natural inocência do desconhecimento.
Em resumo, não somos o corpo físico, somos o corpo espiritual. O corpo que vemos é o irreal, o que não vemos é o verdadeiro. Este se expande, de tal forma que sua luminiscência mais sutil abrange as dimensões do globo terrestre, criando-se assim um vigoroso campo eletromagnético entre os seres, que se interpenetra e conecta-se com a Grande Luz e abarca todo o universo.
Se somos esse gigantesco corpo vibratório, não somos pequenos. Nada está à parte e nada é pequeno neste majestoso conjunto. Então, não somos como nos vemos. Somos muito melhores!
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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