Walmor Macarini
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 1999
Walmor Macarini 
O homem vive constantemente em busca de resposta para muitas perguntas acerca das realidades transcendentes, mas a resposta lhe chega de variadas formas e ele não a pressente. Às vezes simplesmente se nega a ouvi-la, pelo fato de que é dentro dele que a escuta e isto lhe soa simples demais. Por isso não lhe dá validade. Espera, quem sabe, que ela se manifeste na forma de um milagre, que ele nem mesmo sabe identificar. Ignora que ao ser agente da pergunta é também o senhor da resposta.
O homem não é uma simples unidade existencial, supostamente minúscula, um algo isolado nestes confins do universo, mas - creia ele ou não - está integrado à grande consciência universal. Ao proclamar-se pequeno, nega a sua origem e ofende a Criação.
Na grande reunião da inteligência cósmica estamos todos presentes. Constituímos uma grande família, subdividida em tantas outras, segundo o grau em que cada grupo se encontre na escalada através das inumeráveis dimensões. Uma só sabedoria preside todas as coisas, e todas as coisas compõem essa sabedoria.
Enquanto habitante planetário, bastará ao homem guiar-se pela intuição, e ela será sua voz, seu comando; a voz que lhe chega de dentro, conectada com a Grande Fonte; a voz de Deus que ressoa no universo interior de cada um.
A intuição é sempre aquela resposta que nos chega primeiro quando estamos diante de alguma indagação, trivial que seja. Tem a ver com o nosso dia-a-dia e com nossa espiritualidade. Se nós detemos para analisá-la, já então não podemos ter certeza sobre o caminho a seguir, porque entrará em ação a lógica racional, e isto não é do espírito, é da personalidade. Bom sabermos dessa dualidade. O espírito comanda, mas a personalidade (que é dos sentidos), esta às vezes impõe-se e obstrui, porque temos nos exercitado a escutar mais a razão (que é analítica) do que a intuição (que é imparcial).
Se o homem realinhar-se com sua intuição, que é o canal de ressonância com a grande realidade invisível, ouvirá as respostas que busca e encontrará muitas mãos a ajudá-lo, porque ele não está só... Quanto mais recorrer à Fonte, mais ela verterá, assim como um poço secará se dele deixarmos de tirar água.
Afundando-se em sua própria personalidade, o homem foi perdendo a memória de sua origem - que antecede a sua vinda para esta condição terrena - viu-se subjugado pelos medos e entrou em disputa com seus iguais, cada qual buscando apossar-se do maior pedaço, e assim muitos ficaram com muito e outros sem...
Aceitando-se como limitado e isolado - ele aqui em baixo e Deus lá em cima - veio ignorando que ele próprio é o agente de seus passos e que, acionando a sua alavanca, aciona o universo, porque Deus está nele e ele é Deus em ação.
Nada deve aprisionar o homem a idéias de limitação, dificultando-lhe avanços em seu entendimento e assim impedindo-o de abreviar caminhos para alcançar mais rapidamente a compreensão acerca de sua vida, das coisas deste mundo que temporariamente habita e do grande universo cósmico. Coisas, muitas das quais, tanto o inquietam. Já é tempo de o homem romper amarras que o prendem a dogmas e descobrir, por sua própria conta, a verdade sobre si mesmo e sobre sua grandiosa dimensão como ser imanente da grande fonte de toda a Criação.
Inconcebível que tantos se conformem com suas privações, imaginando que isto seja vontade divina, sabendo-se que Deus não é amante de pobreza e miséria, mas de abundância e sabedoria. A pobreza, material e espiritual, é uma limitação a que o homem se impõe e não um plano divino.
O ser humano proclama-se independente em tantas coisas, mas permite ser dominado naquilo que tem de mais relevante, que é a questão de sua espiritualidade e de sua eternidade. Vozes externas contribuem ainda mais para impor-lhe limites, e ele os aceita. Se lhe dizem que é um ser pequenino, concorda sem questionar; mas se vozes mais sábias o exaltam e lhe dizem que é um ser superior, ele tem uma incrível propensão a negar. Ao proclamar-se insignificante, manifesta não humildade mas arrogância, por negar sua procedência. Aí sim apequena-se em sua clausura egótica. Perde a conexão, retarda-se. Sua caminhada para a frente torna-se longa e vagarosa. Sua chama vai-se apagando e sua voz interior se emudecendo por já não encontrar o ouvinte...
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


