Quinta-feira passada escrevi que há uma parcela de culpa em cada habitante da Terra pelos atentados que aconteceram em Nova York e Washington. Porque tudo começa, primeiro, a plasmar-se na mente de cada um, somatiza-se na mente coletiva até chegar ao ponto de saturação, e aí a explosão será uma natural consequência.
Nesta terça-feira, surpreendeu-me ler nos jornais as declarações de Madonna. Ela disse, referindo-se àqueles episódios: ''Todos nós colaboramos para o ódio que existe no mundo hoje em dia. Somos todos responsáveis. As pessoas deveriam olhar para dentro de si e examinar seus próprios atos de terrorismo, de ódio, de intolerância e de negatividade.''
Então, como reverter esse processo? Pela autodisciplina, que exige uma disposição para a mudança de hábito e para o exercício de buscar um refinamento da qualidade do nosso pensamento. E o que é essa qualidade? É ingressar em uma esfera mais elevada de consciência, onde não há densidade, porque a força positiva não conhece barreiras.
Se vivemos no dia-a-dia fazendo juízos negativos acerca das pessoas, emitindo sentimentos de ódio, ira, revolta, maledicência, pessimismo, agressão, negatividade, descrença, descaso, indiferença, rejeição, ganância, apreensão e medos, vamos encorpando a mente coletiva que pensa igual, até o ponto de exaustão. Essa erupção ocorre em todos os momentos, em maior ou menor intensidade, materializando-se em forma de doenças, acidentes, incêndios, crimes, atentados. Einstein disse que a mente unida, a um só tempo, de todas as pessoas da Terra, faria explodir o sol, se este fosse o propósito. Nada esotérico, mas apenas um fenômeno meramente físico.
As dramáticas cenas de Nova York, da semana passada, foram construídas antes em inúmeros filmes de ficção, somatizaram-se na mente das pessoas do mundo inteiro, e a realidade veio a produzir-se. Os norte-americanos apreciaram muito produzir, no cinema, cenas de violência. Desejavam dar-lhes a máxima impressão de realismo, e tal desejo acabou se cristalizando. Eles não vigiaram a qualidade de seu pensamento ao produzir filmes assim. Tudo isso nada mais é que a somatização do poder criador da mente humana.
Mas foi apenas isso que os norte-americanos pensaram? Não. Eles também fizeram grandes descobertas científicas e tecnológicas que beneficiaram a humanidade. Eles, assim como outros povos. Porque, no caso, a mesma somatização da mente coletiva ocorreu. Ou seja, as pessoas extraíram da mente pura do universo essas idéias de curas de doenças, de melhoria do bem-estar, de mais conforto, de mais paz e de mais alegria. Porque tinham na mente essas vontades. A corrida espacial permitiu a incursão por outros mundos e gerou a tecnologia dos satélites, que permite hoje as redes universais de tevê, a Internet, a telefonia intercontinental, o telefone celular.
A mente humana centrada no positivismo, no vislumbre de vida saudável, da harmonia, da bonança, será capaz de eliminar as tempestades, as nevascas, os vulcões, os maremotos, a fome, as guerras. O amor, de que tanto se fala, é isto. E como pensar positivamente? Pela fé de que somos capazes de obter e realizar todas as coisas. Fé não é a que depositamos numa divindade, mas a crença em nosso próprio poder, que é nada mais que o poder de Deus em nós. É o homem que move esse poder. A mente positiva é isto: crer nesse poder em nós, porque ele não está em nenhum outro lugar. Crer no poder de um Deus ''lá em cima'' anula esse poder.
A emissão continuada de pensamentos negativos vai se condensando, até se descarregar num ponto que lhe é afim, pelas nossas próprias mãos ou pelas mãos dos que estão mais propensos. Assim também o inverso: a boa qualidade do nosso pensamento cria boas expectativas, para nós e para a humanidade, e elas se manifestam.
Temos que criar imagens das coisas boas acontecendo, sem mudar esse paradigma; criar projetos mentais positivos, para nos contrapormos às barreiras das vibrações negativas, que a maioria das pessoas vai emitindo, sem mesmo perceber, porque não se vigiam. Isso acaba se tornando um vício, e os estragos são grandes. E assim sempre achamos que não somos culpados, que não fizemos nada...
Devemos começar pela vigilância mais atenta aos nossos pensamentos e palavras, da mesma forma que caminhamos prudentemente sobre a calçada e não no meio da rua; que conduzimos nosso veículo em sua trilha, sem invadir a faixa dos pedestres.
O universo conspira a nosso favor, mas temos que acioná-lo. Na mente universal não existe densidade, basta nos sintonizarmos com ela. Mas isso requer projeto mental, decisão, exercício, repetição, ação. Eu posso, eu tenho o poder. Repetir isto sempre, diante de uma circunstância que nos pareça difícil, e crer. O homem só crê naquilo que enxerga, mas o poder está no invisível, e o invisível está dentro dele mesmo. Basta abrir o canal.
Se a humanidade inteira, neste momento, passar a crer na verdade de que há um vigoroso poder de paz em cada cidadão americano e em cada terrorista, fará tal atributo aflorar neles. A mente positiva é um estado de elevação da consciência, e nessa condição os portais se abrem.
Se vislumbramos um mundo de paz, vamos abrindo caminhos de luz e construiremos o mundo imaginado. Mas é certo que temos desejado um mundo de guerras, porque repetimos à exaustão que os homens são maus, e assim também nos fazemos maus, robustecendo a mente coletiva que pensa de forma idêntica. Mas por que não reverter essa corrente? Temos que começar por nós. Nossa responsabilidade nessa tarefa é intransferível.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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