Wal-Mart e alguns fatos históricos
Foi uma excelente decisão a dos empreendedores capitaneados pelo imobiliarista Raul Fulgêncio de doar uma área para construção do Teatro Municipal de Londrina. Trata-se de parte do terreno que aquele grupo adquiriu recentemente, onde se localizava a antiga empresa Anderson & Clayton, na zona leste. O local é, indiscutivelmente, melhor do que o anterior no espaço onde se situava o velho complexo do Colégio Londrinense, na rua Quintino Bocaiúva, lote desapropriado pelo prefeito Nedson Micheleti porém não adquirido. Na verdade nunca se acreditou que o atual comando municipal desejava construir o teatro na área que desapropriou, porque a razão (da repentina e inesperada desapropriação) era impedir que ali se instalasse o hipermercado da Wal-Mart. O motivo disso é do conhecimento público: a pressão da concorrência. Mas se agora, com a doação anunciada, a questão foi em parte solucionada, o impasse com a multinacional continua, porque o prefeito não quer o hipermercado naquele lugar. Afirma que se trata de empresa depredadora e que sua presença naquela zona central prejudicaria todo o pequeno comércio da circunvizinhança. Vejamos alguns fatos históricos: quando a Construtora Veronesi planejou o primeiro shopping center de Londrina (com o nome abrasileirado de Centro Comercial, na Praça 1º de Maio), os quitandeiros ao redor temiam a própria falência se fosse implantado, naquele centro residencial e de negócios, um mercado de frutas e verduras, como estava projetado. Para não se indispor, a construtora eliminou do mix de lojas esse ítem. Os quitandeiros continuaram do mesmo tamanho e acabaram fechando as portas. Talvez tivessem sobrevivido se existisse o mercado maior, pela atração de mais gente para a área. O mesmo se deu quando os irmãos Lessa implantaram o Com-Tour Shopping Center, na Avenida Tiradentes. A presença desse shopping aqueceu a área comercial periférica. Quando o empresário Alfredo Khuri arrojou-se em construir em Londrina shopping center do sul do País o Catuaí espalhou-se o temor de que o comércio do centro iria falir. O que aconteceu foi o contrário: o shopping criou novo e avançado conceito de vendas, de instalações, de vitrinismo, de serviços, tornou conhecidas as griffes e mudou o perfil da clientela, que aprendeu a ficar mais informada e exigente. Nesse campo a cidade modernizou-se, por seguir modelos das coisas do majestoso shopping. A implantação, a seguir, do Royal Plaza Shopping não prejudicou os pequenos comerciantes das regiões circundantes. Ao contrário, surgiram ao redor o Camelódromo e uma grande loja da rede Leve. A vinda do hipermercado Carrefour contribuiu para melhorar o padrão dos demais supermercados os que existiam e os que vieram depois. Com a Wal-Mart não será diferente. A empresa, certamente, trará algum conceito novo. Empreendimentos grandes e mais sofisticados são exemplos para os menores, e, no mais casos, ensina-os a mudar velhos costumes e a modernizar-se. Londrina não teria chegado aonde chegou se não houvesse aberto as portas para ousados empreendedores. Pelo menos agora, pelo soar do gongo da salvadora doação, o prefeito Nedson Micheleti foi aliviado do fardo de adquirir a área desapropriada. Mas fica o compromisso de construir o Teatro.





