O aumento do número de famílias chefiadas por mulheres, de certa forma, reflete as imposições da vida moderna. Mulheres no mercado de trabalho e aumento do número de divórcios são situações corriqueiras para os brasileiros. No entanto, é motivo de preocupação o crescimento das famílias chefiadas por mães que não têm o ensino fundamental completo e que são responsáveis por filhos menores de 15 anos.
O aumento desse grupo ocorreu nos últimos 20 anos em todas as esferas: local, estadual e nacional, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Fundação João Pinheiro e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Além dos números oficiais levantados, é importante que sejam planejadas e desenvolvidas ações que possam minimizar os efeitos dessa realidade.
É certo que não é uma situação que começou a ser formada recentemente. Ainda reflete o passado, quando a educação formal não fazia parte da vida da maioria das pessoas e as mulheres cresciam tendo o casamento como principal objetivo. Com as mudanças impostas e o aumento da liberdade feminina, o cenário foi modificado. Se elas conquistaram mais autonomia, também ganharam mais responsabilidade. No entanto, é triste constatar que alguns homens ainda abandonam seus filhos, não garantindo assistência emocional e financeira.
Portanto, se fazem urgentes a implantação de programas públicos integrados que possam dar um suporte às famílias nessa condição. Essas mães precisam ser amparadas a partir de projetos que possam acolher as crianças no seu horário de trabalho, com atividades de educação, esporte, lazer e cultura. Para os adolescentes, seria interessante investir na qualificação profissional, com cursos técnicos e complementares, que atuem como um suporte à sua formação. Somente pela educação que esse ciclo da vulnerabilidade será rompido.

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