Voz autorizada de Alencar sobre juros
Em rodas empresariais não faltam os que defendem que José Alencar deveria ser o presidente da República e não o vice. Porque, por ser ele um empresário e conhecer intimamente o que é administrar empresas, fala a linguagem que a classe produtora entende. Sexta-feira, em Palotina, ao inaugurar um complexo industrial da cooperativa C.Vale, Alencar voltou a criticar a política do juro alto, apontando diretamente para o Banco Central, presidido por um companheiro que ele não aprecia muito, Henrique Meirelles. Por extensão, também não perfila na metodologia de seu colega superministro Antonio Pallocci, que com Meirelles forma a poderosa dupla defensora da manutenção de juro elevado para frear o consumo, e assim, segundo entendem, conter a inflação. É preciso que o objetivo do Banco Central não seja apenas o controle da inflação, declarou Alencar, sem receio de ser admoestado e nem apeado do poder, porque foi sufragrado vice pelo voto e não pode ser demitido. Sua palavra é sempre imperativa e respeitada, especialmente quando trata de questões empresariais e de política econômica. Declara o vice-presidente que o Brasil é ainda um país de subconsumo, e sabe também que o arrocho tributário inibe o crescimento, desestimula a implantação de negócios, induz à queda de produção e, na continuidade, mantém desemprego. A função do vice não faculta tomada de decisões, pois apenas existe para substituição do titular em caso de vacância, mas José Alencar pode falar, e é o que tem feito, no mais dos casos criticando políticas desacertadas do Governo a que pertence. Entre elas o favorecimento à manutenção do juro alto, sob o vesgo olhar do combate à inflação pelo nefasto desestímulo ao consumo e é justamente por via do consumo contínuo e ordenado que um país cresce e uma nação se emancipa econômicamente. O empreendedorismo luta com dificuldade para se impor, face a esses sistemas equivocados, impostos de cima para baixo, e ainda assim consegue romper barreiras, do que é um exemplo o complexo agroindustrial inaugurado no oeste paranaense. O fato de esse empreendimento haver contado com financiamento, inclusive, de bancos de fomento que tem chancela oficial não invalida as críticas a certas políticas do Governo e as palavras de Alencar, porque a grande dificuldade da empresa não é propriamente instalar-se, mas manter a regularidade do negócio e equilibrar-se entre o desestímulo dos monetaristas ao consumo, a pesada carga de impostos e o custo alto do dinheiro para o giro da atividade. Tanto melhor seria se os ventos soprassem a favor, e aí, como diz a linguagem popular, ninguém seguraria o Brasil!





