Voto obrigatório, um arcaísmo
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terça-feira, 08 de outubro de 2002
Gilberto Jordão 
Contido no âmago dessa situação eleitoral que vive o Brasil, por enquanto, prevalece um vício que manifesta um dos aspectos mais perversos da atual conjuntura: o voto obrigatório. Os eleitores brasileiros estão sendo guiados por uma lei que é, infelizmente, retrógrada. A mídia, na circunstância atual, está votando por nós desde o militarismo ditatorial.
Os eleitores perdem suas autonomias pela forma atual de se votar. Somos obrigados a dar vida nova a um Congresso que pouco ou nada nos representam. Se o voto não fosse obrigatório, com certeza a ideologia de se fazer política, no Brasil, seria diferente.
Os candidatos a um pleito teriam que, obrigatoriamente, respeitar os seus eleitores. Não é o que acontece. Atualmente os políticos intimam nosso voto. Caso o voto não fosse obrigatório, os atuais candidatos nos tratariam com mais respeito, pois não ficaríamos reféns dos mesmos. Os políticos, hoje, só têm olhos para os resultados das urnas, pois seus interesses estão em jogo.
Infelizmente, estamos elegendo, nessa eleição, verdadeiros bonecos que futuramente estarão estampados nos grandes jornais, não como idealistas, mais sim como contraventores do bem público, como corrupção, por exemplo. O escândalo tem seu início com o executivo pressionando o Congresso de diversas maneiras, umas diretas, outras indiretas e, por vezes, acintosas e provocativas.
Os escândalos se comportam como se a República tivesse os poderes discricionários da ditadura militar. Não respeita as divisões de poderes e as atribuições específicas de cada um, delineadas constitucionalmente. O executivo decide sobre todas as matérias ''democraticamente'' como se a cabeça do Estado estivesse apenas no executivo. Da forma como está posto, vem a pergunta: por que votar ''democraticamente'' para escolher os membros que compõem o Congresso?
Esperamos que o próximo presidente, bem como os membros do Congresso reflitam sobre o assunto em questão, pois votar amordaçado é um ato ditatorial. Há necessidade de um renascimento cultural de grandes proporções na forma de se votar, no Brasil. Comumente, grupos elitistas jamais irão concordar com tal colocação, pois os mesmos fazem ''barba e bigode'' em época de eleição.
A verdade é que podemos iniciar uma nova configuração ideológica, porque o Brasil necessita dessa mudança, pois o mundo contemporâneo exige mecanismos de uma nova reformulação democrática. Dos três poderes existentes, a Nação só identifica o Palácio do Planalto, pois nos anos remanescentes, o destaque é apenas a pessoa do Presidente da República.
O voto facultativo iria mudar tal paradigma governamental, pois os políticos seriam mais conscientes na hora de representar seus eleitores. O voto obrigatório é um imperialismo, pois o eleitor, o cidadão comum, deseja ficar livre dessa mordaça. Ter que ir ao correio para justificar a sua falta. É um ato cruel do sistema imperialista, que poderia ser evitado, se o voto fosse livre.
Mas, como o sistema é, e sempre foi, montado para ficarmos à mercê deles (políticos) vamos tocando nossas vidas como cidadãos comuns, porque os eleitos, com certeza, irão esquecer que nós existimos. As frases que os políticos eleitos usarão, doravante, serão sempre as mesmas: ''Agora que estou eleito, ó para os eleitores''!
GILBERTO JORDÃO é professor universitário


