Voto fisiológico e ignorância partidária
O voto é livre e soberano. Partindo dessa grandeza, tudo o mais que ocorra com ele, e em consequência dele, é debitado ou creditado na conta do direito de escolha. Inclusive o resultado da incoerência do eleitor, quando vota na pessoa e não em suas ideias ou propostas; que não procura entender o ideário político do partido do seu candidato. Por falta de uma análise política mais ampla, ele vota no candidato e nos opositores do candidato. Assim, outorga-lhe o mandato, mas nega-lhe as condições de governança. O eleitor não entendeu, ainda, que na cena da dramaturgia política ele não é figuração.
O leitor da FOLHA pode perguntar: então é errado votar em candidatos de partidos diferentes? Claro que não. Mas é incoerente. Aconteceu no Paraná. Beto Richa foi eleito mas os candidatos ao Congresso pelo seu partido, e partidos aliados, não tiveram votação suficiente. Logo, o eleitor preferiu Beto mas não lhe garantiu apoio em Brasília. Na Assembleia Legislativa ainda vai depender da composição, mas no âmbito federal a sorte já está lançada. Beto, que não contará, no Senado, com os aliados Gustavo Fruet e Ricardo Barros, terá de recorrer a Gleisi Hoffmann, que tudo indica poderá ter uma postura paranaense, e Roberto Requião, sobre quem não se pode dizer o mesmo.
Esta constatação não sugere que o eleitor deveria votar em chapa completa, tampouco que os eleitos não sejam merecedores. A incoerência estaria caracterizada da mesma forma se tivesse votado em Osmar Dias, porém negando-lhe Gleisi e Requião, da mesma chapa. Ninguém tem a pretensão de criticar votos ou sugerir candidatos, o que seria no mínimo uma absurdo, até porque a eleição já passou. Mas a comparação faz sentido, independente de nomes. Outro exemplo pode ocorre com relação ao Presidente, que precisa ser alidado. Votar em partidos diferentes em eleição majoritária é dar presente de grego. Incoerência partidária é como fisiologismo. No Paraná, como no Brasil, além de políticos fisiológicos, temos votos fisiológicos.





