Voluntário aprende a ouvir com o coração
''Ouvir um desabafo não é um ouvir qualquer. É uma escuta compreensiva, uma espécie de diálogo de coração para coração''. Assim, a professora de filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lucilia Defreitas Pedroso, define a atividade que desenvolve há 22 anos como voluntária do CVV. Ela ministrou uma palestra sobre o valor do desabafo. Na platéia, um grupo de pessoas com objetivos comuns: o desejo de ajudar o próximo.
A pessoa que buscou ajuda, no anonimato de uma ligação telefônica, precisa sentir que há uma abertura para expor seus sentimentos, sentir-se compreendida. De acordo com a professora, a atitude do voluntário deve ser a de aceitar a pessoa como ela é. Outro ponto básico é a não diretividade. Ou seja: ninguém no CVV dá conselhos. ''Partimos do ponto de que cada um é capaz de enfrentar suas dificuldades desde que encontre apoio'', comenta a voluntária. ''Seria pretensão achar que podemos dar conselhos. O que serve para uns não serve para outros''.
Casos de pessoas que ligam para o Centro e revelam a intenção de cometer suicídio, segundo Lucilia Pedroso, são comuns. E os atendentes estão preparados para lidar com o problema. O caminho mais simples é o de dar oportunidade para que o outro fale sobre o que pretende fazer. E a partir do momento em que começa a falar, a crise vai amenizando até que possa refletir melhor.
Mas até que ponto os problemas confidenciados não interferem na vida dos voluntários? Lucilia Pedroso revela que não se envolver é regra básica e que o voluntário tem consciência de que fez o melhor que podia em busca de uma solução. ''Nos doamos inteiramente e não temos a pretensão de resolver todos os problemas. Mas o sentimento de fazer tudo o que posso torna mais leve esse trabalho'', comenta.
O trabalho voluntário, segundo a professora, exercita a sensibilidade, faz com que os atendentes aprendam a sentir o outro. ''É preciso abrir o coração para receber o coração do outro, sem preconceito. É carregar o fardo do outro naquele momento de desespero''. L.M.





