Volta por cima
Os curitibanos e grande parte dos moradores de cidades-sede da Copa do Mundo estão respirando aliviados. Depois de um ano complicado, em que o sucesso do torneio era incerteza, o País contabiliza muito mais pontos positivos que negativos.
Os paranaenses devem se lembrar de toda a trajetória de incertezas desde que a capital do Estado foi definida como uma das 12 cidades-sede, em 2010. Além da chance de acompanhar de pertinho quatro jogos da fase de grupos, havia o "tal" legado da Copa, no caso de Curitiba, a cidade ganharia uma primeira linha do metrô e uma grande reforma no Aeroporto Afonso Pena e na rodoferroviária.
Logo após a euforia de 2010, veio a desconfiança com o empréstimo para a reforma da Arena da Baixada, afinal a propriedade particular conseguiu condições de pagamento difíceis de se conseguir na "praça". E mesmo assim, o atraso na obra do estádio quase tirou Curitiba do campeonato.
O metrô ainda nem saiu do papel, a Arena foi entregue poucos dias antes do início dos jogos e as grandes reformas diminuíram e terminaram nas vésperas da primeira partida, no dia 12 de junho. E quanto às manifestações prometidas pelo pessoal do "Não Vai Ter Copa"? O protesto realizado na tarde do primeiro jogo em Curitiba, dia 16 de junho, resultou em vandalismo e na prisão de 15 pessoas. Não aconteceram outros protestos. Importante lembrar que nos meses que antecederam ao torneio, a imagem do brasileiro ficou bastante prejudicada no exterior.
No caso de Curitiba, não faltaram ônibus e nem táxi. A segurança pública registrou poucas ocorrências. Donos de bares, restaurantes e de hostels comemoraram o bom movimento, que só não foi melhor por conta da saída precoce da Espanha. Torcedores entrevistados pela FOLHA apenas tinham reclamações pontuais, como falta de lanche e restos de entulho no estádio, no primeiro jogo.
Costa Rica, Argélia e Nigéria dando "canseira" em times de peso como Alemanha, França e Itália é bem o retrato da Copa do Mundo do Brasil, um país surpreendente, cujo povo está acostumado dar a volta por cima e superar as dificuldades sem perder a simpatia e a hospitalidade. Conseguir reverter a fama de incompetente será, provavelmente, o maior legado da Copa.





