No fim do mês, uma cidade encravada em Londrina voltará a pulsar. Isso porque, a partir de segunda-feira, dia 26, os 22 mil ''habitantes'' da UEL - entre professores, alunos e funcionários - voltam a suas atividades no ano letivo 2007. Em entrevista exclusiva à FOLHA, o reitor da universidade, professor doutor Wilmar Marçal, fala sobre trote, salário de professores e violência no campus.

Qual UEL os alunos vão encontrar na semana que vem?
Durante as férias, a administração trabalhou para melhorar a infra-estrutura. Foram feitas revisões nas salas de aula para conferir as instalações estruturais e elétricas. Alguns prédios têm problemas pontuais, que serão resolvidos tão logo o orçamento do Estado seja liberado. Fizemos reforma no Restaurante Universitário, para melhorar a qualidade no atendimento ao estudante. Queremos resolver ainda a questão do Anfiteatro do Cesa - fechado há um ano, depois da queda da marquise que matou duas pessoas. São 224 assentos inutilizados. Pretendemos preservar os escombros, mas voltar a usar o edifício. Também estamos contratando técnicos de laboratório, para dar suporte ao trabalho pedagógico.

Como vai ser a recepção dos calouros?
Os colegiados programaram trotes culturais. Alguns vão fazer trabalhos voluntários; outros, doações de sangue. O que não vamos admitir são trotes agressivos, humilhantes. Isso é proibido na UEL. O pessoal da prefeitura e da pró-reitoria vai fiscalizar. Também somos contra essa história de aluno ficar parado no sinaleiro, pedindo dinheiro. É uma questão cultural não avalizada pela universidade. Quem for denunciado responderá a processo e poderá ser expulso.

Quais medidas foram tomadas para melhorar a segurança no campus?
Em primeiro lugar, mandei podar as copas das árvores que estavam grandes, para melhorar a iluminação noturna. Além disso, estão sendo trocados os sistemas de estacionamento do Ceca, do Cesa e do CCH, locais que mais reúnem pessoas à noite. Começamos a discutir o plano de segurança no conselho de administração na quarta-feira, dia 14. Esse plano envolve toda a comunidade, não só no sentido de conscientização, mas também de treinamento de vigias, para que possamos ter uma ação mais efetiva. É preciso contar com a colaboração de todo mundo, ainda temos muito a discutir sobre a violência no campus.

Vai ser mesmo construído o muro na UEL?
Não estamos construindo o muro e não há previsão disso acontecer. A construção desse muro, alambrado ou paliteiro ainda vai ser definida no conselho de segurança. Vamos envolver a população do entorno do campus nessas discussões, para mostrar a eles a necessidade de se tomar uma medida, principalmente no lado Oeste, considerado rota de fuga pela polícia, porque entrada e saída não são controladas.

Os professores terão aumento salarial este ano?
O orçamento da UEL para 2007 é de R$ 293 mi. Se disser que é suficiente, não estaria falando a verdade. É necessário definir um plano de carreira para os professores. A categoria está há muitos anos sem correção salarial. Mas o orçamento deste ano não será suficiente para melhorar o salário, o que é ruim, pois a UEL perde professores doutores para as universidades particulares de Londrina, que oferecem melhores condições.

Uma das reclamações dos alunos é com relação aos laboratórios...
Já estamos equipando alguns laboratórios com novos computadores. Renovamos toda a diretoria de material para melhorar o fluxo de materiais. Vamos passar a comprar apenas pelo pregão eletrônico, para conseguir melhores preços e evitar fraude.

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