Buenos Aires - Mais uma vez, a tensão está de volta entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo do presidente Eduardo Duhalde. Poucos dias antes de o ministro da Economia, Roberto Lavagna, apresentar à Câmara de Deputados seu plano para sair do ‘‘corralito’’ (semi-congelamento de depósitos bancários), o organismo financeiro – por meio do chefe da missão do Fundo para a Argentina, o economista indiano Anoop Singh – desferiu uma série de críticas contra o projeto. Por causa desta indisposição com o Plano Lavagna, o organismo internacional poderia adiar de forma indeterminada as negociações com o governo Duhalde.
Isto poderia colocar o país à beira do precipício financeiro, já que a meados de julho a Argentina precisa desembolsar US$ 1,7 bilhão para o pagamento de dívidas com o FMI e o Banco Inter-americano de Desenvolvimento (BID). Sem a ajuda do Fundo, a Argentina teria que recorrer às exauridas reservas internacionais do Banco Central, atualmente abaixo de US$ 10 bilhões.
O mal-visto plano de Lavagna consiste em trocar – de forma voluntária – os depósitos retidos por bônus em pesos e dólares, cujos prazos vão de três a dez anos. Mas para o FMI, o caráter de ‘‘voluntário’’ implicaria na morte do plano pouco após o nascimento.
Para o organismo financeiro, o ideal seria um plano compulsivo. Isso afastaria mais ainda a recuperação dos depósitos por parte dos correntistas, mas, por outro lado salvaria os bancos de falência generalizada.
A oposição ao plano Lavagna foi comandada por Singh, que dias atrás apresentou um relatório à diretoria do organismo financeiro em Washington, afirmando que esse sistema ‘‘intensificará a saída contínua dos depósitos e aumentará a pressão sobre a cotação do dólar’’.

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