Volta à claque
Quem perdeu no debate estadual foi o telespectador. Se dormisse sonharia, provavelmente, em bases menos fantasiosas do que a do duelo das promessas impossíveis. Sacal, piramidalmente sacal.
Não houve uma só idéia-força, o que Munhoz da Rocha, Ney Braga e até o Jaime Lerner saberiam compor. Ao contrário, predominou a idéia-farsa, tudo o que é inviável e desconsidera limites constitucionais do estado e ainda por cima o peso de compromissos nacionais, muitos deles em decorrência da terapia do FMI e Consenso de Washington, como a basbaquice da lipoaspiração do aparato estatal. Doutrinemos: quem defende o Estado Mínimo é um Maxi-Idiota pelo fato de a máquina pública dos Esteites e da Europa não ser minimalista, ao revés bem mais complexa do que a nossa, tão injuriada.
Quem gostou do debate só pode ser da claque, a falange de aspones e assessores, de áulicos e bajuladores. Imagino-os dizendo aos ouvidos do seu líder: ''Vossa Excelência estava melhor do que Rui Barbosa!'' ou ''Você lembrou o Marco Túlio Cícero dos melhores momentos no Senado romano'' e assim por diante. A baba viscosa do puxa-saquismo fluindo.
Belmiro Valverde, uma das melhores cabeças do Paraná, resumiu tudo lembrando a frase irônica do socialista fabiano, Bernard Shaw, de que no debate se disse coisas novas e verdadeiras só que as novas não eram verdadeiras e as verdadeiras não eram novas.
SPRAY Requião tentou associar Alvaro ao que chama de ''banda podre'' da polícia por causa do apoio da Adepol.- Alvaro carregou na denúncia sobre o assassinato, precedido de execração, do líder sem terra Teixeirinha, fato condenado na OEA e ocorrido no governo Requião.- Empatam em responsabilidade no episódio Ferreirinha, do qual são beneficiários. Alvaro chamou a turma de Aníbal Khury e José Richa de ''filhos do mal''. Havia um esquema, se Alvaro se candidatasse ao Senado, para cassá-lo.- Esse maniqueísmo voltou a aflorar agora quando Requião configura o seu grupo como a ''aliança do bem''. QI mais baixo do que isso é impossível. Nós merecemos? - O advogado José Eduardo Soares de Camargo foi nomeado por FHC juiz substituto do TRE. - A delegada Margareth Mattos, que estava foragida, teria se apresentado à Corregedoria, uma vez que a legislação eleitoral impediria sua prisão. Bochicho, como diz Ali Chaim. - No Amapá o Ministério Público quer a cassação da governadora do PT. Aí, quando se trata da ''tchurma'', o PT se vira para impedir a ação dos procuradores, indo até o procurador geral da República, Geraldo Brindeiro. Da mesma forma como agem no caso de Santo André. Essa a precariedade orgânica do moralismo. O homem das CC-5, Paraná, procurador Celso Três está nessa à toda corda. -
BIZARRICE Tanto Lerner, quanto FHC, querem sair em alta do governo com suas operações de transição e inauguração maciça de obras. Ambos podem provocar no público um sentimento pós-eleitoral de remorso de tanto que fizeram.
AXIOMA O teatro do debate foi burla, pantomima ou opereta bufa?
GLOSA Requião estava meio zen. Uns acham até que estava zen por cento.
EPIGRAMA Chechenos roubaram a cena no Teatro de Moscou, mais na platéia do que no palco. O terror despido do fundamentalismo religioso ou nacionalista é uma impossibilidade, como se vê.
FOLCLORE Arthur Koestler poderia usar o debate regional de ontem para afinal reescrever ''O iogue e o comissário'', a oposição do contemplativo ao fiscal do poder soviético. Só que Alvaro e Requião ficam melhor como comissário ainda que tentem, por vezes, ''representar'' o iogue.
CROMO No bolor mais calor do que olor: senso real, sensorial.
AFORÍSTICO Esperança possível para o PSDB hoje é só a telenovela da Globo.
SCAPS Lerner chamou um de ''vaidoso'' e outro de ''raivoso''. A um deles agora vai ajudar na transição como se fosse o ''generoso''.





