Se ''o quadro de volatilidade e incerteza'' foi a razão para o Comitê de Política Econômica manter em 18% ao ano a taxa básica de juros da economia, o que se terá pela frente, até o apagar das luzes do atual governo, é a continuidade do quadro de incerteza com qual o brasileiro foi forçado a conviver. Isto significa a manutenção dos juros reais mais altos do mundo, e não apenas esses mas também os praticados contra os que caem na esparrela do cheque especial que em situação de desespero e na falta de outro meio é utilizado até para giro de capital.
Dinheiro a custo alto demais, que desencoraja projetos de investimento e coloca o Brasil em dificuldade para competir com os países que disputam o mercado e que, dessa forma, saem na dianteira, porque sujeitos a taxas reais médias de apenas 1,1% (caso dos países ricos) para o mesmo período e as mesmas operações e de 1,9% (caso dos países emergentes). No entendimento dos economistas de plantão e de analistas do próprio FMI, essa austeridade monetária brasileira levará o País a apertos fiscais cada vez maiores.
Ao cidadão comum escapa compreender a posição de estrategistas do mercado de que não há segurança, no momento, para reduzir juros, pois ele não localiza o ponto da insegurança a que se referem, se a recessão que deveria constituir a preocupação é resultante justamente dessa postura e chega a limites extremos. Se o estancamento da desenfreada inflação de outrora ocorre mais por inércia, eis que o giro da moeda está em marcha lenta, a fórmula sábia parece ser exatamente o contrário: obter segurança pela baixa dos juros.
A cada reunião do Comitê, que acontece para decidir que as coisas continuarão iguais, a Nação afunda-se mais e mais na incerteza, parecendo que o objetivo dessa política é preservar a insegurança e paralisar o ânimo nacional. Se os próprios especialistas econômicos têm posições contrárias sobre a questão dos juros básicos e no geral, já não se sabe a que interesses serve essa intransigência em baixar o custo do dinheiro. Que, de pernas decepadas, não anda.
Supreende que há os que dão crédito às diretrizes econômicas que vêm sendo adotadas e mantidas nestes oito anos do atual governo, se elas não produziram resultados positivos, mas ao contrário, só afundaram o Brasil na estagnação e sepultaram muitas das esperanças dos brasileiros. Não se sabe, então, o que essa política visa defender. Se países de taxas básicas mínimas de juros saem da condição de pobres e entram na de emergentes, e desta para a de abastados, o cidadão brasileiro não consegue entender porque continuamos entre os pobres e insistindo em manter as taxas de juros mais altos do mundo. Só pode ser uma estratégia sinistra para manter a situação de pobreza.

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