Você mudou seus hábitos por causa da violência?
SIM
Mesmo sem pensar, o medo faz a gente mudar alguns hábitos para se precaver da violência. Evito freqüentar certos lugares em horários de risco e também melhorei a segurança de casa, aumentando o muro, colocando alarme, cerca elétrica e portão eletrônico. São medidas paliativas, que não vão resolver totalmente o problema, mas ajudam a gente a se sentir mais seguro, apesar de resultar em um isolamento. No trânsito também tomo certos cuidados. Quando chego em casa, sempre reparo na presença de alguém suspeito. Fica complicado parar em alguns semáforos da cidade em horários de menor movimento, principalmente de madrugada. É pedir para ser assaltado. São hábitos que eu adquiri inconscientemente, com medo da violência.
Fernando Ribeiro, advogado
NÃO
Continuo com os mesmos hábitos que sempre tive, apesar de, como todo mundo, estar preocupado com essa onda de violência. Continuo com as janelas abertas enquanto estou em casa, andando de bicicleta nos momentos de folga. Ou seja, não deixei de fazer nada que tenho vontade. Claro que a gente mantém cuidados básicos como forma de precaução, mas sem nenhuma paranóia. Felizmente, não conheço pessoas próximas que tenham sido diretamente vítimas da violência mas, por ser pastor, lido com muitas famílias que sofreram com esta questão. O conselho que dou para essas pessoas é manter os hábitos do dia-a-dia, tomar os cuidados necessários, mas sem se isolar e se afastar de outras pessoas. O ideal é viver sem paranóias.
Carlos Augusto Fernandes, pastor





