VIZINHANÇA SOLIDÁRIA - A proteção mora ao lado
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sábado, 08 de dezembro de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Férias de verão chegando, 13º salário no bolso, viagem programada com a família e uma preocupação na cabeça: como evitar a ''visita'' de assaltantes enquanto a casa estiver vazia. Segundo o relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, tenente Ricardo Eguedis, a ajuda dos vizinhos é fundamental. Em visita à redação da FOLHA, ele deu dicas de segurança e garantiu que o efetivo da PM não será reduzido durante o período de festas de fim de ano.
Há um aumento no número de assaltos na cidade no fim de ano?
Nesta época as oportunidades para os criminosos aumentam. Tem mais pessoas com dinheiro graças ao 13º salário, circulando até mais tarde com o comércio aberto até às 22h. Nós temos ainda o problema do indulto de Natal, em que a Justiça libera presos. O objetivo é nobre, de devolver à sociedade aquela pessoa que foi penitenciada por um crime, mas na prática a gente vê que em torno de 6% destes liberados acabam sendo flagrados em outros crimes.
Como vai ficar dividida a atenção da polícia entre o comércio central e os bairros residenciais?
Continuaremos com as operações e ainda teremos reforço com contraturno no policiamento do Calçadão e atenção diferenciada em alguns bairros, melhorando o patrulhamento. Vamos aumentar o índice de atendimentos nos meses de dezembro e janeiro, porque sabemos que as pessoas estão em fase de compra e isso atrai a atenção de criminosos.
Muitos turistas vão ao Litoral e há um destacamento de policiais para as praias. Londrina vai sofrer baixa de efetivo?
Londrina há vários anos já não manda efetivo para a operação da Polícia Militar nas praias. A cidade tem o maior batalhão do Estado em efetivo, mas não cede policiais para a Operação Verão. Outras cidades da região vão ceder, mas Londrina não.
Quais são os cuidados a serem tomados por quem viaja no fim do ano?
O importante é não dar sinais de que a residência está abandonada. Tem gente que chega a ficar 20 dias fora e deixa a lâmpada da área acesa. À noite dá uma sensação de presença, mas de dia desperta a atenção de bandidos. É importante conhecer os vizinhos, ter familiar ou amigo que mora na cidade e passe de vez em quando na casa para ver se está tudo bem. De preferência o vizinho, que pode ouvir barulhos estranhos. Você tem algumas formas de fazer segurança, mas sem uma vizinhança solidária não dá para se sentir tão seguro.
Casas mais fechadas então trazem uma falsa sensação de segurança?
Casas de muro alto tiram a visibilidade da rua, atrapalham a vigilância natural. O criminoso gosta de agir em locais escondidos, preservando o anonimato. Uma pesquisa com assaltantes presos nas cadeias do Paraná mostrou que, entre a grade e o muro, eles preferem o muro. A partir do momento que ele passou aquele obstáculo, está livre porque ninguém mais vê o que ele está fazendo. O assaltante vai ter tempo de raciocinar, tempo de levar mais coisas, e isto é confirmado na prática.
É bom confiar em empresas de segurança privada?
Tem que tomar cuidado, porque não é garantia de segurança. Muitas vezes estas empresas chegam depois que o crime aconteceu e vão deixar na mão da polícia a localização e prisão dos assaltantes e a recuperação dos objetos. Se a pessoa opta por contratar um serviço privado, ela deve conhecer a empresa antes, pedir documentação de liberação da Polícia Federal. Desconfiar de preços muito baixos também é importante. Mais vale uma conduta de segurança com vigilância natural, acompanhamento dos vizinhos para que as pessoas saiam de casa, retornem e encontrem seu patrimônio da mesma forma que ele deixou.


