São válidas todas as tentativas para se viver melhor e conter a violência, como propõem as atividades escolares em turnos extras das tardes e nos finais de semana, e a recomendação do procurador da República, Guilherme Schelb, para uma maior vigilância dos pais sobre os filhos para afastá-los das drogas e da criminalidade. Em Londrina, conforme reportagem publicada ontem neste Jornal, 21 dos 74 colégios estaduais promovem atividades nos finais de semana, a maior parte projetos esportivos. Das 82 escolas do ensino fundamental, da alçada da Prefeitura, apenas 5 desenvolvem esses programas, mas a Secretaria da Educação informa que a idéia é implantar novos projetos, de forma gradativa, dando prioridade aos alunos que ficam sozinhos em casa ou não exercem atividade quando estão fora da escola. Esses programas visam transformar a escola em ambiente de saudável convivência entre educadores, alunos e familiares, e ensinar além do previsto no currículo básico. A abertura é para atividades esportivas e culturais e a promoção de maior participação da comunidade na vida escolar. São saudáveis medidas que deveriam se estender também a uma reformulação dos próprios currículos regulares, de modo que algumas disciplinas sejam acrescentadas, como a responsabilidade no convívio mais fraterno com o meio social e a ênfase no ensinamento da solidariedade, afastando o que induza à competição predadora, tão frequente nas atividades humanas. Já a proposta do procurador é mais complexa, porque, para certas famílias já desagregadas pela miséria, é difícil impor limites sobre os filhos, que vivem nessa promiscuidade e já nascem libertos para as coisas das ruas, sobretudo as más. O auxílio, nessa tarefa, de profissionais das áreas de educação, saúde e segurança e das lidas com jovens delinquentes como também propõe aquela autoridade, ao falar em Londrina este sim é importante para os casos das famílias citadas. Porque será necessária também a orientação para todo o conjunto familiar, que convive com todas as formas de privação, começando pela fome e pela péssima moradia. Natural que os freios são necessários, enquanto os pais ainda têm alguma forma de domínio sobre os filhos. Porém, mesmo em famílias melhor estruturadas, isto já não é tão fácil. Outro exemplo do aproveitamento do contraturno, conforme mostra a reportagem da Folha, foi implantada há quatro anos em Apucarana. Ali a opção foi para o ensino em tempo integral nas 37 escolas municipais de ensino fundamental. Esses ensinamentos extras compreendem aulas de língua estrangeira, musicalização, balé e karatê. Uma dessas escolas também ensina práticas agrícolas, como complemento. São 10 mil alunos que ficam na escola das 7h30 às 16h30, recebendo educação adicional e três refeições diárias. O lema para o êxito desses programas, na vizinha cidade, é simplesmente aplicar na educação as verbas da educação.

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