J. Roberto Whitaker Penteado
‘‘Se eu soubesse que ia viver tanto, teria cuidado melhor de mim’’. (Eubie Blake no seu 100º aniversário). Se você, caro leitor, tem 50 anos ou mais, saiba que as suas chances de chegar a ser um centenário são 20 vezes maiores do que há 50 anos. As pessoas com mais de 100 anos em todo o mundo são 150 mil. Poderão ser 2 milhões e meio em 2050.
Essas cifras foram publicadas pela revista ‘‘The Futurist’’ (www.wfs.org), na edição de maio, numa reportagem sobre o que será este mundo futuro e próximo em que as pessoas senior serão maioria absoluta. E não se trata de um cenário de horror, porque uma das tendências que a revista registra é a de que as pessoas longevas estão cada vez mais saudáveis de corpo e mente, graças aos progressos da ciência e da medicina preventiva.
São boas notícias para quem gosta da vida (e será que há, mesmo, quem não goste?). E são melhores, ainda, para as mulheres: se não houver modificação de tendência - segundo a ONU - duas vezes mais mulheres do que homens passam da idade de 80 e, entre os centenários, a relação é de 4x1.
O que significa viver 100 anos ou mais? Para quem não tem acesso ao Dr. Barbosa Lima Sobrinho, para checar, pode ajudar os dados sobre Jeanne Calment, a mulher mais idosa do mundo comprovada pelo Livro Guinness, que viveu 122 anos, na França, entre 1875 e 1997. Aos 13 anos, quando morava na sua cidade natal de Arles, viu - com outros concidadãos - chegar à cidade uma estranha figura, logo apelidada de ‘‘Le Fou’’ - ‘‘O Louco’’. Tratava-se de um pintor desconhecido, de fala arrevezada, chamado Vincent van Gogh.
Como outros centenários, Jeanne foi entrevistada muitas vezes, para dar a sua própria ‘‘receita’’ para viver muito, e não se cansava de dizer que atribuia o seu recorde a duas coisas: ter vivido sempre com um sorriso nos lábios e ter finalmente deixado de fumar, aos 117 anos...
‘‘The Futurist’’, contudo, faz uma análise mais técnica sobre as verdadeiras causas do aumento da duração da vida. Além, de fato, dos novos remédios e recursos da medicina, as comunicações tornaram-na mais acessível a um número maior de pessoas e a melhoria nos padrões de educação leva as pessoas a procurar mais ajuda.
De um modo geral, as mulheres têm menos filhos, que recebem mais cuidados quando crianças. Há mais alimentos - e de melhor qualidade. O tratamento dados à água para consumo e o cuidado com os esgotos e dejetos. Mais investimentos governamentais nas áreas de saúde. A ação da mídia e dos sistemas educacionais, influenciando as pessoas a cuidar melhor da saúde.
É claro que essas coisas variam de país para país e ainda serão em maior número os americanos e europeus que atingirão idades-recorde no próximo milênio.
Mas as estatísticas sociais do Brasil não estão mal-situadas, de acordo com os estudos feitos pela ONU, e podemos ir-nos preparando para um mundo em que haverá muita gente considerada ‘‘idosa’’. Aliás, quando a imprensa noticia que algo aconteceu a um ‘‘ancião’’ de mais de 60 anos, não está em sintonia com a nova nomenclatura aprovada pela ONU: o grupo dos ‘‘idosos’’, que eram as pessoas com 65 anos ou mais, agora só engloba gente que atingiu os 85 anos, pelo menos. Os outros são apenas ‘‘maduros’’.
Os estudiosos dessas mudanças demográficas tão profundas andaram preparando algumas sugestões para quem quer chegar a ser centenário. Afinal, para quem quer se programar para os 100, ou 120, não importa que a aposentadoria oficial seja aos 60 ou aos 65 anos: ainda restarão mais anos do que a vida média de um cidadão de um século atrás.
Diversifique sua carreira. Pense nos seus hobbies como trabalho e no seu trabalho como hobby. Planeje o seu futuro financeiro. Não perca a oportunidade de tornar-se milionário, se ela aparecer. Para isso, afinal, basta R$ 1 milhão. Invista tempo na sua família. Eles é que lhe vão fazer companhia. Mude o ritmo da vida. Vive mais tempo quem consegue ‘‘desacelerar’’ e envelhecer mais devagar. Receba bem as mudanças. Envelhecer com sucesso significa ir ao encontro do futuro com disposição. Cuide do seu corpo e da sua mente. É a melhor medicina preventiva que existe.
Então, vemo-nos em 2050?
- J. ROBERTO WHITAKER PENTEADO é diretor de instituição universitária no Rio de Janeiro

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