Vitrine da livre iniciativa
Foi aberta ontem, em Londrina, uma feira de negócios que expressa a capacidade dos paranaenses de produzir, gerenciar e evoluir tecnologicamente, tanto no agronegócio como na indústria automotiva. Especialmente no agronegócio, essa capacidade se manifesta de ponta a ponta na cadeia alimentícia: da matéria-prima, no campo, ao produto final, na gôndola do varejo. Também expõe a qualificação da mão de obra que a produz.
Responsável pela movimentação de grande volume de dinheiro, a ExpoLondrina
é a síntese do que a livre iniciativa sabe fazer para produzir proteínas animal e vegetal e bens de consumo duráveis. É também nesse palco que repousa uma ponta de orgulho cívico dos que estão aí representados - trabalhadores e empresários - porque transferem renda, recolhem impostos, geram empregos, enfim, distribuem riquezas.
O Estado é parceiro, apoiador, fiscalizador; às vezes balizador. E faz bem o seu papel assim delimitado. Nem se omite, nem extrapola. Se exceder seus limites pode mascarar, quando não comprometer, a livre concorrência que confere qualidade e equilíbrio ao processo de produção e comercialização. Pior que isso: se interferir muito inibe a busca e adoção de técnicas propulsoras da competitividade. ''Muito Estado'' significa estagnação, comodismo.
A propósito, merece reflexão a reportagem da The Economist. A revista mais importante sobre economia, critica a postura do governo brasileiro ao afirmar que o País está ''se apaixonando novamente pelo Estado''. Na edição que chega às bancas nesta semana, a publicação britânica questiona se o Brasil está aprendendo as lições erradas da recuperação econômica, diante do papel mais forte assumido por empresas estatais após a crise.
Diz a The Economist: Lula criou oito estatais, lançou uma proposta para reviver a Telebras, ''o defunto do monopólio estatal de telecomunicações'', e anunciou que a Eletrobras será a ''Petrobras do setor elétrico''. Para a rervista o governo ignora o sucesso da privatização. Na carona da revista pode-se dizer que há um paradoxo entre a vitrine do sucesso no Parque Ney Braga e o freio de mão puxado lá em Brasília.





