Os partidos de centro-esquerda da América Latina e de alguns países europeus mostravam-se ontem animados com o seu futuro político, creditando à vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil a possibilidade de revigorar as ideologias de esquerda em todo o mundo. O desempenho do PT, na opinião da maioria deles, vai mudar rapidamente a América Latina.
Cerca de 120 dirigentes partidários e parlamentares de centro-esquerda almoçaram ontem com representantes do PT, em um hotel do centro de São Paulo. Eles foram recepcionados pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy e pelos deputados reeleitos Fernando Gabeira (RJ) e Paulo Delgado (MG) e José Eduardo Cardozo (SP), eleito pela primeira vez em 6 de outubro. Lula, reunido com assessores para tratar da equipe de transição, não apareceu no almoço, mas garantiu que veria à noite todos seus parceiros ideológicos dos outros países.
A festa foi contida. Os petistas ainda estavam na dúvida a respeito da vitória, porque se baseavam apenas nos dados das pesquisas eleitorais. No almoço, segundo Delgado, havia também a expectativa de que o câmbio brasileiro possa se regularizar, o que ajudaria nas relações comerciais dos países sul-americanos. O deputado argentino Fernando Melillo, da Alternativa para uma República Independente (ARI, que tem 29 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados argentina) comentou que os ataques do tucano José Serra a Lula, pelo risco de 'argentinização' foram injustos. ''O argumento de Serra tinha apelo eleitoral, mas exibia uma falsidade de argumentos. A União Cívica Radical (UCR) de Fernando de La Rúa e os peronistas de Carlos Menén estão muito mais próximos do PSDB, do PFL e do PMDB do que do PT. A crítica à situação da Argentina poderia ser feita a Serra, no caso de uma vitória do candidato do PSDB'', disse.

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