Vitória do povo
A extinção do pagamento do 14º e do 15º salário no Congresso Nacional, votada esta semana, é uma mostra da força do movimento popular. Pressionados pela sequência de manifestações que se realizam em todo o Brasil pedindo o impeachment do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), os representantes do Poder Legislativo Federal abriram mão da verba extra como forma de melhorar a imagem da Câmara dos Deputados e do Senado diante da opinião pública.
O projeto que limita o pagamento anual de dois salários extras aos deputados foi aprovado na quarta-feira. O 14º e o 15º eram pagos no início e no final de cada ano dos mandatos dos congressistas e o benefício era praticado desde o ano de 1946. A proposta de redução, redigida pela então senadora e atual chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), já tinha sido aprovada no Senado em maio do ano passado, mas estava parada na Câmara até o início desta semana. É muito provável que, não fosse a insatisfação da sociedade, o projeto continuaria engavetado por tempo indeterminado. Como a votação aconteceu agora, em fevereiro, houve tempo para que os congressistas recebessem um dos salários extintos.
Quando criado, há 66 anos, a justificativa para o 14º e o 15º salários era uma ajuda de custo para despesas com mudança e transporte dos senadores e deputados no início e no final de cada ano legislativo. A partir de agora, eles terão apenas dois salários extras, pagos no início e no final do mandato - quando realmente se justifica mudanças de endereço.
A expectativa é que o Congresso economize cerca de R$ 30 milhões por ano com a medida. Depois que o Movimento Fora Renan! tomou corpo nas redes sociais e nas ruas, a extinção dos dois salários é a segunda ação dos congressistas em tentar mostrar que se preocupam com o dinheiro público. A primeira é a promessa do presidente do Senado em reduzir cargos comissionados.
Embora o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB/RN), tenha reunido emergencialmente os líderes da Casa para costurar um acordo para aprovação do projeto, teve deputado que reclamou muito da medida, alegando que alguns políticos precisam do dinheiro perdido. Apesar da choradeira, é impossível ficar com pena, principalmente quando se leva em conta os outros benefícios que permanecem. Além do salário, eles ainda recebem uma boa verba traduzida em cota para transporte aéreo, cota postal-telefônica e verba de gabinete - citando apenas alguns. É muito mais benefício que um trabalhador comum brasileiro sonha em conquistar.





