Visita histórica de um imperador
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de junho de 1997
Seinosuke Omae 
Esta visita histórica e memorável do imperador Akihito e da imperatriz Michiko transcende os parâmetros de uma mera formalidade de troca de gentilezas entre governantes de países amigos. Sendo o Imperador o símbolo do Estado e a unidade do povo, de cuja vontade advém seu poder soberano, sua vinda ao Brasil traduz a emoção coletiva de uma nação em render uma homenagem não só ao povo brasileiro mas também aos milhares de imigrantes japoneses e seus descendentes que decidiram apostar todas as suas esperanças nesta terra de promissão, com fé, coragem e determinação.
Apesar de o Japão e o Brasil terem estabelecido relações diplomáticas no fim do século passado, foi a partir de 18 de junho de 1908, quando aportou em Santos o legendário navio Kassato Maru com o primeiro contingente de imigrantes japoneses, que se iniciou a tessitura de um elo cada vez mais forte e indestrutível entre os dois países.
Hoje, mais de um milhão de japoneses e seus descedentes fazem parte integrante e harmoniosa da sociedade brasileira, contribuindo, de maneira digna e responsável, para o desenvolvimento e progresso deste imenso país.
O processo de imigração tornou realidade o que parecia impossível: irmanar duas Nações situadas em lados opostos do planeta e com cultura, língua e costumes muito diferentes. No decorrer do tempo, estas barreiras foram cedendo e a distância foi se encurtando gradualmente ao ponto de hoje em dia, sentirmos que somos dois países vizinhos, entrelaçados por sentimentos de simpatia mútua e amizade perene.
Foi neste contexto que o Japão e o Brasil celebraram, em 1995, os cem anos de suas relações intensas e fecundas em todos os níveis. Este fato memorável foi abrilhantado com a visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao Japão, com a visita do primeiro-ministro Hashimoto ao Brasil no ano passado, e agora, como ponto culminante, com a visita histórica de Suas Majestades o imperador e a imperatriz, a qual representa o alvorecer de uma nova era de mais outros cem anos de convivência harmoniosa e fraternal entre os dois países.
A afeição de Suas Majestades pelo Brasil reflete o sentimento comum de todo o povo japonês, e pode ser dimensionada pelo fato de esta ser a terceira vez que o casal imperial vem ao Brasil, depois das visitas oficiais, então como princípe herdeiro e princesa, em 1967 e 1978, neste ano para prestigiar as comemorações dos 70 anos da emigração japonesa. Além de este ser um caso incomum, devo ressaltar que os três filhos de Suas Majestades também já estiveram no Brasil, a convite oficial, em diferentes oportunidades. Por tudo isto, e por ser a primeira vez, em toda a História do Japão, que o imperador e a imperatriz visitam o Brasil, a energia que transborda deste entrelaçamento afetivo resultará num relacionamento cada vez mais vigoroso e sólido entre as duas Nações.
Esta visita oficial de Suas Majestades será o coroamento de uma longa etapa concluida com absoluto sucesso e, ao mesmo tempo, simboliza a pedra fundamental para a construção de um relacionamento ainda mais exuberante e promissor entre os dois países no século XXI.


