O rastro de destruição deixado pela forte chuva que atingiu a Região Norte do Paraná no início da semana passada não foi suficiente para sensibilizar o governo federal. Ontem, o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi (PP), esteve em Londrina e Maringá para verificar in loco a totalidade dos estragos, mas o seu anúncio foi, no mínimo, frustrante: R$ 1 milhão para compra de caminhões caçamba – úteis para consertar os estragos na zona rural. Dinheiro, aliás, que estava liberado desde dezembro, segundo o prefeito Alexandre Kireeff (PSD).
Importante destacar que todos os municípios ainda contabilizam seus prejuízos – alguns incalculáveis. Dezenas de pontes foram derrubadas pela força das águas, rodovias perderam parte do asfalto, lavouras ficaram completamente destruídas, pelo menos 500 mil pessoas ficaram sem abastecimento de água, enquanto muitos moradores foram ilhados em suas casas. Ainda é preciso citar as perdas individuais, uma vez que muitas casas tiveram suas estruturas danificadas, além dos estragos provocados em móveis, roupas, eletrodomésticos e alimentos.
A chuva que atingiu Londrina no último dia 12 foi a maior em volume hídrico diário desde o início da medição do Sistema Meteorológico do Paraná, em junho de 1997. Em um dia choveu 340 milímetros, enquanto a média histórica do mês é de 214 milímetros.
A magnitude dos estragos reforça a necessidade de um plano de contingência para recuperação rápida de parte dessa estrutura perdida. São necessários recursos a fundo perdido, ainda mais em um momento que os pequenos municípios vêm perdendo recursos do Fundo de Participação dos Municípios, como aborda hoje reportagem desta FOLHA. Desta forma, os cidadãos podem interpretar essa visita do ministro como uma atitude eleitoreira, apenas para atender deputados do seu partido. A população de toda a região esperava um apoio maior do governo federal.

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