Violências a granel
O presidente dos Estados Unidos, Bush, ordenou ao premier de Israel, Ariel Sharon, a saída imediata das tropas israelenses das cidades palestinas que ocupam. A resposta de Sharon foi desmoralizante: Sairemos ao terminar a operação de limpeza que ali realizamos. Bush tremeu nos alicerces de sua parcialidade.
Foi como se Sharon pedisse tempo, e os EUA aceitassem e aceitaram que Israel concluísse o estupro, em termos militares, da soberania da Palestina sobre seus pobres e escassos territórios.
Engraçado, se pode haver graça em meio às desgraças de um povo, foi o anúncio de Bush feito após encontro com o risonho primeiro-ministro britânico Anthony Blair, sobre o Oriente Médio: Nosso próximo alvo é o presidente do Iraque, Saddam Hussein. O que pretende Bush? Impotente ante as tropelias bélicas de Sharon, ele quer, talvez com o apoio sempre incondicional de Blair, aproveitar a crise e atacar o Iraque, enquanto os tanques de Israel cercam a igreja da Natividade, em Jerusalém, e buscam terroristas no templo erguido no local em que nasceu Jesus.
Para onde vão os EUA, se estenderem o conflito palestino-israelense a outros países e templos, em vez de apaziguá-lo, coibindo as bravatas do aliado Sharon?
Nessas afrontas belicosas, guardadas as proporções, algo lembra o que ocorre na guerra da política brasileira em torno da sucessão presidencial. O governo e o presidenciável de sua escolha, José Serra, tentaram, primeiro, fazer com que, dentre os governadores Jarbas Vasconcelos, Itamar Franco e outros menos cotados, além do senador Pedro Simon, todos do PMDB, um deles fosse o vice da candidatura presidencial do PSDB. Depois, foram ao governador Lerner, do PFL; agora, estão atrás de outro vice-presidenciável, o prefeito peemedebista Luiz Henrique.
Agem, pois, como se o PMDB não tivesse aprovado a tese da candidatura própria a presidente por 98,7% dos votos de sua convenção, aceita pelo deputado Michel Temer, eleito, só por isso, presidente do partido. Ignoram, ainda, a candidata do PFL à Presidência. Para o TSE, porém, se os presidenciáveis desses partidos não desistirem de candidatar-se, o PMDB e o PFL não podem juntar-se a Serra.
Ao empenhar-se nesse assédio, o governo age com truculência antiética, digna de Sharon. E Temer, agora adesista, mercadeja com o que não pode entregar.
A democracia no País torna-se uma guerra suja, com novos tipos de violências no processo eleitoral: o proxenetismo e o estupro políticos. Era só o que faltava!
RUBEM AZEVEDO LIMA é jornalista em Brasília





