Violência urbana
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de junho de 2003
Sebastião Bernabé Alvim 
Ao descrever o estado de natureza, Hobbes afirmou que, numa situação em que os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força, a vida do homem é ''solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta''.
A violência urbana, fenômeno disseminado em todas as grandes cidades, é determinada por vários fatores: instituições frágeis, impunidade, miséria, tráfico de drogas, alcoolismo, prostituição, preconceitos, etnocentrismo, corrupção policial, etc. No Brasil, por exemplo, a violência tem relação com quase todos esses fatores, porém, com destaque para a impunidade e a corrupção policial e política.
Um outro fato que tem contribuído para a violência em nosso País é a aceitação passiva, por parte de nossa população, da forma violenta de fazer Justiça, como uso da tortura pela polícia como método de investigação, extermínio de menores abandonados, linchamento sem julgamento juridíco, etc. A globalização e o neoliberalismo também contribuíram bastante para o aumento da criminalidade nos últimas anos. Além de disseminarem a miséria, facilitaram o tráfico de drogas e de armas, a corrupção, a lavagem de dinheiro e a circulação deste pelos paraísos fiscais mundo afora.
A violência não é somente privilégio dos países subdesenvolvidos. Na década de 1990, por exemplo, a insurreição de negros sacudiu Los Angeles depois que um júri formado de brancos absolveu quatro policiais brancos acusados de espancar um negro. Essa revolta se estendeu por diversas grandes cidades americanas. Nos dias de tumulto, dezenas de pessoas foram mortas em espancamentos, incêndio de carros e saque de estabelecimentos comerciais. Nesta década a violência atingiu seu pico também no Canadá, Finlândia, Suécia, Irlanda, Holanda, Reino Unido, Nova Zelândia, etc.
Pena de morte é um equívoco e não contribuirá em nada para diminuir a violência no Brasil. Ações passionais e precipitadas contribuirão ainda mais para agravar essa situação. É preciso pessoas prontas e ações inteligentes para amenizar esse problema, entre outras, habitação, distribuição de renda, reforma agrária, educação, combate à corrupção policial e ao tráfico de drogas, proteção e cuidados especiais aos menores abandonados, reformulação de nossas leis e do Judiciário, entre outras.
Não devemos esquecer que nossas ações pessoais também são muito importantes para diminuir a violência. Temos que erradicar definitivamente essa cultura de querer levar vantagem em tudo.
SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM é relações públicas em Londrina


