Violência, um estado de calamidade
Londrina já está convertida numa cidade sem lei no que diz respeito à segurança dos cidadãos contra a bandidagem. Só o fato de abrir a porta da casa a quem bate já é um risco de vida; estar por trás do balcão de um estabelecimento comercial é um perigo idêntico. O dono da padaria que, junto aos familiares, abre numa manhã de domingo para atender à clientela usual da vizinhança, recebe um tiro no peito e morre, só porque ousou pedir aos assaltantes que poupassem a esposa sob mira de arma. Não bastasse assaltar e apropriar-se de bens, há uma sanha de matar que transforma esses marginais em perigosas feras. Uma avassaladora corrente de terror domina Londrina, e nestes últimos anos a violência ganhou proporção que parece fora de controle. Os criminosos são na maioria menores, ou maiores de idade porém jovens, e a razão principal dos crimes que cometem é o acerto de contas em negócios de drogas. Se não é isso, é assaltar para tomar dinheiro e outros bens, e matar sem razão ou simplesmente pela satisfação mórbida de disparar a arma e assistir à destruição de uma vida. Imagina-se que o delinquente sinta um vigoroso poder ao sentir a extensão de si mesmo projetada na arma mortífera uma realidade superando às vezes a ficção que é vista e repassada diariamente nos filmes da televisão e nos violentos programas policiais do rádio e da TV. Estes, de sua parte, são poderosos agentes de banalização do crime, porque convertem a criminalidade em espetáculo e criam uma corrente de emulação que induz à prática de mais delitos por aqueles já propensos. Na questão que envolve o tráfico de drogas, a Polícia tem o mapa da situação e conhece a legião dos traficantes, até por prática de ofício na atividade profissional. Desfeita ou enfraquecida a rede do tráfico, desfaz-se e enfraquece-se também a ramificação do negócio representado pelos 'formiguinhas' que distribuem as drogas e se convertem também em viciados ou criminosos. Neste 2004 que ainda não findou ocorreu em Londrina um assassinato a cada dois dias, boa parte com vinculação ao vício e ao narcotráfico. Se a Polícia conhece os mocós e todo o universo da ilicitude e sabe de onde chegam as drogas, onde estão as bases e quem atua no atividade, então não age por falta de comando. É hora de colocar debaixo dos holofotes e sob interrogatório o Secretário da Segurança do Estado, os comandantes policiais, os delegados, os promotores de Justiça (que são por incumbência os defensores da sociedade), os vereadores e o prefeito. Porque as coisas estão acontecendo e não se conhece operação preventiva ou ao menos um projeto a respeito a não ser os investigadores seguindo as pistas dos matadores depois que eles já fizeram seus irreparáveis estragos.





