Violência no trânsito
O aumento da frota de carros e motocicletas, fortalecido pelo crescimento da renda e da manutenção do emprego, é um fator a ser comemorado. No entanto, a educação no trânsito e a qualificação dos motoristas, infelizmente não cresceu na mesma proporção. Duas reportagens publicadas nesta FOLHA escancaram a violência no trânsito que, a cada dia, tem feito mais vítimas.
Durante a semana foi relatado o aumento de atropelamentos de idosos. Segundo estatísticas do Corpo de Bombeiros de Londrina, de janeiro a 3 de abril deste ano foram atendidas 112 vítimas de atropelamentos com mais de 60 anos. Os idosos apresentam perda de reflexo e uma dificuldade maior para atravessar as ruas, mas os bombeiros salientam que a maioria dos acidentes é provocada pelo excesso de velocidade ou pela falta de respeito às leis de trânsito.
Hoje o foco está nas bicicletas. Depois do trágico acidente registrado em São Paulo (SP), onde um ciclista teve seu braço arrancado e não foi socorrido pelo motorista, o foco se voltou a esse grupo. No Paraná, no ano passado as mortes de ciclistas aumentaram 18,75% com relação a 2011. O número de vítimas fatais saltou de 48 para 57. As situações que mais provocaram óbitos foram colisões de carros com bicicletas e com caminhões. Entre um ambiente hostil e uma relação nada amigável, ciclistas e motoristas trocam críticas. A falta de respeito entre os dois envolvidos é latente. No entanto, também vale ressaltar que as cidades não estão preparadas para o "trânsito pacífico".
Não há ciclovias na maioria das cidades. Os poucos espaços destinados às bicicletas são precários e não fazem ligação com pontos importantes, dificultando a mobilidade. Os ciclistas têm que se aventurar entre caminhões, ônibus, carros e motocicletas e como são o elo mais frágil, sem dúvida são os maiores prejudicados. Como quase todos as soluções de conflitos relacionados à vida em sociedade passam pela educação, somente a realização de campanhas de conscientização e o rigor das leis é que podem melhorar e tornar pacífica a convivência.





