Há uma verdadeira guerra sendo travada no trânsito brasileiro. Impaciência, falta de educação, despreparo e desrespeito às leis - essa equação só poderia ter um resultado: em dez anos, o número de mortes em acidentes cresceu 24%. Pelo menos 369.016 pessoas perderam a vida no período analisado - para efeito de comparação, Maringá (Norte) tem pouco mais de 357 mil habitantes.
As informações são do estudo ''Mapa da Violência 2011: Os Jovens do Brasil'', que apontou uma realidade ainda mais assustadora quando o assunto é o transporte sobre duas rodas. Os dados mostram que entre 1998 e 2008, o número de óbitos de motociclistas no Brasil subiu em 753,8%, saltando de 1.047 para 8.939.
O Paraná tem ''destaque'' neste assunto, como mostrou a FOLHA em reportagem publicada nesta semana. O Estado é o segundo que mais registra mortes de motociclistas em todo o Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo.
Numa lista dos municípios com elevadas taxas de óbitos, Cornélio Procópio foi a primeira cidade paranaense a aparecer, ficando em 18º lugar. Umuarama veio logo atrás, em 20º, seguida por Arapongas, na 33 posição. Londrina não aparece na lista.
Como nem só motoristas e motociclistas compõem o trânsito, também há registro no estudo de mortes de pedestres, que continuam sendo as maiores vítimas dos acidentes. Apesar da queda percentual de óbitos (-15%) em dez anos, a pesquisa aponta que os atropelamentos mataram pelo menos 9.474 pessoas.
O que fazer para reverter essa realidade? A resposta não é tão simples. Passa, é claro, pelo investimento em educação no trânsito, por meio de campanhas direcionadas.
Mas também envolve a aplicação mais rígida do Código de Trânsito Brasileiro. A lei, em vigor há 13 anos, é considerada por muitos especialistas como exemplar. Mas, sem a devida fiscalização, o código é apenas um amontoado de palavras. É preciso realizar ações de prevenção de acidentes, ou os números tendem a crescer ainda mais.

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