VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO - Radares são indispensáveis
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segunda-feira, 14 de maio de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A utilização de radares para controle de velocidade é indispensável para reduzir os acidentes - e o grau de gravidade. A opinião é do ex-diretor do Detran de Brasília, Luis Riogi Miura, um dos coordenadores do programa ''Paz no Trânsito'' - responsável pela queda de 40% nas mortes por acidente na capital federal, entre 1995 e 1998. Para ele, a tal ''indústria da multa'' é, na maioria das vezes, a soma das reclamações de motoristas infratores e da exploração política por autoridades municipais. A seguir, as principais declarações de Miura à FOLHA.
Reduzir a velocidade é indispensável para melhorar o trânsito?
É essencial. Sem a redução, nenhum programa de redução da violência no trânsito tem bom resultado. A velocidade está diretamente ligada à gravidade e às consequências do acidente. A questão é física: quanto maior a velocidade, maior o dano e a impossibilidade de reagir para evitar o acidente.
Como reduzir a velocidade?
Essa é uma questão de cultura. Existem países em que o povo já é educado, as regras são cumpridas automaticamente. No Brasil é o oposto. Temos excelentes regras e códigos, só que a obediência é praticamente nula. De maneira geral, quando sai uma regra, o sujeito não pensa como vai fazer para cumprir, ele logo pensa no que fazer para não cumprir. A experiência mostra que 80% dos veículos andam em velocidade acima da permitida nas vias. Há duas formas de resolver: agente de trânsito ou tecnologia.
Quais os prós e contras da fiscalização eletrônica?
No Brasil, o sistema por agentes é ineficiente porque nenhuma cidade tem pessoal suficiente. Além disso, os agentes recebem muita pressão política de vereadores, empresários, para ''quebrar'' as multas de amigos ou eleitores. Na fiscalização pelo radar não. O equipamento não distingue pobre, rico, político ou cidadão comum. Agora, o sistema mais eficiente é o misto porque só com a fiscalização eletrônica o motorista acaba aprendendo que, em tal lugar, tem de reduzir a velocidade.
Radares são indispensáveis?
Para um administrador que quer reduzir a violência no trânsito, não há outro recurso. As campanhas dão resultado em 5, 10, 20 anos. O que precisamos hoje é tratamento de emergência. A fiscalização eletrônica tem um efeito imediato na redução do número de acidentes e na gravidade dos que eventualmente acontecerem.
A instalação de radares em Londrina tem reacendido críticas a uma eventual '' indústria de multas''...
Não conheço nenhum caso em que um órgão oficial tenha sido condenado porque estava produzindo multas indevidamente. Se existem falhas técnicas, cabe à população e promotoria acionar a prefeitura. Só que, quando se fala em indústria de multa, é basicamente uma exploração política.
Parte da população também alega isso...
Claro, são os infratores que se sentem ameaçados. Acho que uma boa campanha seria o seguinte: vamos fazer falir essa indústria. Não pratiquemos infração, não ultrapassemos a velocidade. É a melhor campanha que poderia ter. Por outro lado, pode existir uma percepção de que existe indústria de multa quando a população não vê o retorno em investimento na sinalização, fiscalização e conscientização. Os recursos das multas são carimbados e devem ser usados para reduzir os acidentes e as mortes.
E o contrato de aluguel dos equipamentos, é legal?
No começo, a empresa era paga por multa arrecadada, por multa paga no Detran. Mas isso evoluiu e, hoje, para evitar a necessidade de multar para manter a arrecadação, veio o sistema por uma quantidade fixa. E, com certeza, não conheço um local no Brasil em que o infrator não banque isso. Não há necessidade de tirar recursos de outra área para pagar, o próprio infrator banca isso tranquilamente.


