Violência no Brasil
O Estudo Global de Homicídios 2011, relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado na última quinta-feira, coloca o Brasil em situação bem desconfortável. É o terceiro país com maior taxa de homicídios da América do Sul, atrás apenas da Venezuela e da Colômbia.
A taxa brasileira está em 22,7 homicídios por 100 mil habitantes. Os dados são de 2009 e 2010 e foram fornecidos pelo órgãos oficiais do setor da justiça e da saúde. A Venezuela tem índice de 49, enquanto a Colômbia apresenta 33,4. A metodologia usada exclui as mortes por intervenções legais (penas de morte e intervenções policiais autorizadas) e as ocorridas em situações de guerra e rebeliões civis.
O dado mais vergonhoso ainda está por vir: em números absolutos o Brasil tem o primeiro lugar do ranking no mundo inteiro. Foram 43.909 pessoas mortas intencionalmente em um ano, enquanto na Colômbia foram 15.459, e, na Venezuela, 13.985. O segundo com mais homicídios é a Índia (40.752 assassinatos) com população cinco vezes maior que a do nosso país.
No ranking de todos os países pesquisados, quando levada em conta a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes, o Brasil aparece em 24º lugar. O índice mais alto é de Honduras, com taxa de 82,1 e, na sequência, El Salvador, com 66.
Segundo o relatório da ONU, o Brasil, como país continental, apresenta diferenças regionais em seus índices de homicídios. A mais alta está em Alagoas, 60 por 100 mil habitantes, enquanto em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Maranhão e Roraima, a taxa está entre 5 e 14,9 homicídios.
Infelizmente, o estudo da ONU coloca a taxa brasileira perto da África e América Central e longe dos índices desejados da Europa e América do Norte. Por aqui, dois fatores contribuem muito para aumentar a violência: o crime organizado e a segregação social. Basta verificar que as grandes cidades, que sofrem mais com pobreza e desigualdade, apresentam maior índice. Outro fator importante que ajuda a colocar o Brasil no topo do ranking dos crimes contra a vida é a corrupção, pois o dinheiro que poderia ser aplicado em programas de prevenção é desviado para o bolso dos políticos desonestos.
O estudo serve de alerta para as autoridades públicas. Campanhas de desarmamento, por exemplo, não estão surtindo efeitos significativos. É preciso planejar ações mais efetivas de prevenção e combater com rigor a impunidade.





