O tema educação vem ganhando destaque em Londrina, mais pelos aspectos negativos do que positivos. Neste ano, diversos casos de violência assustaram alunos, pais e professores. Além disso, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do MEC mostrou que os alunos de 5 a 8 séries da rede estadual têm média de 3,8. Entre os 19 municípios que compõem o Núcleo Regional de Ensino (NRE), a melhor média é de Pitangueiras (4,5) e a pior é de Bela Vista do Paraíso (2,3). A seguir, as pricipais declarações da nova coordenadora do NRE, Márcia Lopes de Souza.

O que está sendo feito para reverter a violência na escola?
É uma situação que nos preocupa bastante, mas a agressividade no ambiente escolar sempre esteve presente. Se o aluno tem dificuldade para aceitar regras, muitas vezes isso decorre da omissão da família. É uma ausência de valores e isso se reflete na sala de aula. Para mudar isso, a escola tem de elencar o tema e chamar profissionais para palestras, fóruns de discussão. Também é importante atingir a família. Depois, o trabalho deve ser reproduzido em painéis e atividades em sala de aula, para que o aluno trabalhe com o tema.

Isso parece um pouco vago...
Acabar com a violência nas escolas não é uma coisa que compete ao Núcleo de Educação. Agora, temos de garantir ao professor e aos alunos um ambiente saudável, que favoreça o ensino e a aprendizagem.

Essa tranquilidade é realidade?
Acho que (a violência) agora está se polarizando muito porque existem casos pontuais que chamaram a atenção. Neste ano, aconteceram fóruns de discussão com diretores, cada escola colocou um pouco da sua realidade, e apareceram algumas propostas que vamos encaminhar para a secretaria de Educação.

Quais propostas?
Buscar um canal de participação mais próximo da secretaria de Educação, e o Núcleo participar mais efetivamente para dar respaldo às escolas. Além disso, precisamos buscar parcerias porque a educação, por si só, não vai resolver todos os problemas da sociedade.

Alguns educadores acreditam que o baixo rendimento dos alunos alimenta a violência porque limita as perspectivas de vida...
Acredito que o aluno com fraco desempenho, reprovação, vai se sentir fragilizado e terá a auto-estima abalada. Agora, entendo também que há medidas para reverter essa situação e é nisso que centraremos os esforços. É uma proposta a longo prazo.

O Ideb indica que 62% do conteúdo de 5 a 8 séries não são assimilados pelos alunos londrinenses. O que dizer desse resultado?
O índice pode ser considerado baixo, mas já temos uma proporção para ele evoluir até 6,0 em 2021.

A média de 3,8 é apenas do aluno ou reflete deficiências da escola e do professor?
É de todo o processo, não só do aluno. A avaliação reflete um todo.

Os professores são avaliados?
O professor tem o acompanhamento das equipes pedagógicas das escolas e recebe ajuda quando precisa. Na maioria das vezes ele passou por um concurso público e tem sua qualificação.

E por que não elaborar um sistema para avaliá-lo objetivamente?
Acho que agora o nosso foco é o aluno.

Mas o aluno não depende da capacidade do professor?
Estou falando que acredito na capacitação desse professor.

Parece contraditório dizer que o professor é parte do problema e, ao mesmo tempo, apropriadamente qualificado...
Mas ainda assim, acho que ainda não é o momento (de avaliar o professor). Se em algum momento surgir a constatação de que a falha está na formação do professor, acho que a gente pode até pensar numa outra instância. Mas acho que agora não é hora.

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