Agressões contra mulheres, crianças e adolescentes, infelizmente, sempre estiveram presentes na sociedade. Esse cenário, no entanto, vem sendo modificado. Mais informação, campanhas de esclarecimento, divulgação dos casos na imprensa e punição dos envolvidos tem contribuído para o fortalecimento e a defesa das pessoas agredidas.
Balanço divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, órgão vinculado diretamente à Presidência da República, indica que 80,31% das mulheres agredidas que denunciaram a violência sofrem frequentemente com o problema. Os dados apontam que 58,64% dos casos ocorrem diariamente, enquanto 21,67%, semanalmente. No total foram mais de 667 mil queixas registradas no ano passado, uma média de 1.828 por dia. Os números ainda mostram que a maioria dos registros - 61% - é de agressão física contra mulheres.
No entanto, a avaliação é que não necessariamente a violência tenha aumentado. Atualmente, são registradas mais queixas formais. É inegável que isso tem ocorrido porque o nível de informação das pessoas é maior. Culturalmente sempre houve uma certa tolerância com a violência doméstica. Contra crianças há a desculpa da educação e, contra mulheres, de provocações feitas por elas. Em alguns casos a explicação do agressor é dada no sentido de punição, de merecimento. É claro que esse comportamento é fruto da cultura machista, que apesar das conquistas femininas, ainda impera.
A partir do momento em que as agressoras perdem o medo de denunciar um grande passo já é dado. É preciso romper esse ciclo da violência, uma vez que, segundo especialistas, crianças agredidas podem se tornar adultos violentos. Casos de violência familiar são sempre chocantes porque, na maioria das vezes, os agressores são pessoas conhecidas das vítimas. A punição dos responsáveis, o cumprimento efetivo da lei e a conscientização da sociedade certamente contribuirão para a redução dos casos.

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