Emoção, tristeza e medo, embargaram a voz do reitor da Unifil, ontem de manhã. Ele respondia aos repórteres, num misto de angústia e dor, mas respondia lúcido. Porém, quando lhe perguntam sobre o clima na instituição após assassinato de um estudante, o professor Eleazar desaba em prantos. Quisera, por solidariedade, que os tiros tivessem atingido moralmente o seio da Universidade e não apenas a vítima Wagner Cardoso Farias. O alvo eram todos e, então, o professor não se conteve.
Impossível tratar o caso como ''mais um'' na estatística da violência sem limites. A Polícia Militar e a Polícia Civil sabem o que fazer diante da violência. O efetivo não é suficiente, mas quem está na ativa é treinado, suficientemente treinado e, portanto, sabe agir na prevenção e repressão. E sabe a hora de fazer isto. Também sabe que já passou da hora.
A pergunta - com o devido tom provocativo - é a seguinte e tem endereço, a zona de conforto dos políticos. Por que não deixam a polícia agir? O problema da insegurança em Londrina - extremado nos últimos dias - passa pela questão política. Intriga, por exemplo, a indiferança dos deputados estaduais e outros detentores de cargos eletivos. Irrita a falta de atitude política.
Não adianta responsabilizar a polícia. Ela faz o que pode. Mas também já passamos daquela fase de que ''não se deve debitar à polícia que temos e sim a ausência de maior contingente''. Assim, salvaguardando a corporação e atribuindo a responsabilidade ao governador e seu gabinete, fica mais fácil identificar o caminho da segurança: falta de decisão política. Isto é fato.
Porém, a julgar pelos últimos acontecimentos - como incêndio a ônibus - a situação parece mais complexa. Políticos na defesa da sua comunidade, devem equipar a polícia e cobrar eficácia. Uma postura contrária, pela lógica aplicada, tem que ter a seguinte leitura: Quem não quer a polícia agindo forte está travando sua ação. Não há meio termo. Ou os políticos dão força a Polícia (militar e civil) ou digam logo que não querem segurança. Parece implícito.
Afinal, a quem não interessa melhorar a força policial. Ah, não interessa aos políticos? Pois então tratem de aparelhar as polícias, para que enfrentem os bandidos com superioridade.
Aproveitem agora que o tempo mudou o governador e o secretário da (in)seguraça.

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