Violência dos black bloc
A confirmação ontem da morte do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes do Rio, colocou a ação violenta dos chamados black bloc na pauta de discussões no País. O profissional foi atingido na cabeça por um rojão, na última quinta-feira, enquanto cobria a manifestação do Passe Livre RJ. O artefato, como registraram órgãos da imprensa, foi lançado por um jovem pertencente ao grupo de arruaceiros. A polícia carioca já prendeu o tatuador Fábio Raposo, que confessou ter repassado o rojão a um outro homem na semana passada momentos antes de o cinegrafista ser alvejado.
Essa tragédia, que percorreu todo o mundo, não pode ficar impune.
O ato covarde praticado contra Santiago Andrade configura-se crime e, como tal, deve ser tratado. Já passou da hora de punir esses criminosos que fazem do conflito e da destruição sua principal arma. As autoridades de segurança, não apenas do Rio, precisam urgentemente adotar medidas que garantam a livre manifestação uma das nossas garantias constitucionais sem que cenas de vandalismo e depredação ao patrimônio público e privado se repitam país afora.
Não se pode deixar que um grupo de mascarados destrua o legado deixado pelas manifestações de junho de 2013 no Brasil. Foi por meio da força da mobilização popular que conseguiu-se revogar o aumento no preço das passagens de ônibus em várias cidades do País. Obrigou ainda o Congresso Nacional e o governo federal adotarem agenda positiva para fazer frente à variada gama de reivindicações que tomou as ruas brasileiras. A pressão levou ainda ao arquivamento, por exemplo, da PEC 37 que restringia o poder de investigação do Ministério Público e à aprovação da lei que tornou a corrupção um crime hediondo.
O ano promete ser de muitas manifestações já que o aumento dos combustíveis obriga empresas de transporte pedirem reajuste no valor das passagens, como já ocorreu em Londrina onde o preço subiu para R$ 2,65 e o Movimento Passe Livre vem promovendo atos contra o reajuste. Cogita-se também muitos protestos durante a Copa do Mundo que será realizada no Brasil em junho. Além de combater os excessos cometidos por policiais durante a repressão, as autoridades de segurança devem se precaver para evitar que outras mortes aconteçam.





