O conflito entre torcedores do Londrina e policiais militares domingo, no Estádio do Café, merece uma séria reflexão. Pelo que se pôde apurar, conforme relato de torcedores à reportagem publicada ontem pela FOLHA, teria havido excessos na abordagem dos policiais. O comando da 4 Companhia da Polícia Militar agiu rapidamente abrindo um inquérito para apurar a confusão que resultou em quatro prisões, torcedores e policiais feridos, além de duas viaturas danificadas.
O que chama atenção é a violência excessiva contra um pai de família que queria sair do estádio e proteger seus dois filhos de 3 e 5 anos. No entanto, o torcedor se deparou com os portões das gerais trancados. A manobra adotada pela PM de reter metade dos 7 mil torcedores presentes no estádio por meia hora para que pouco mais de 30 membros de uma torcida organizada do Operário saísse primeiro do local, merece ser revista.
Se houve princípio de confusão entre parte da torcida do LEC com os PMs, era natural que pais de famílias procurassem deixar o estádio para livrar-se do tumulto. Se for confirmada a agressão de uma policial a esse pai que buscava proteção aos filhos, o comando da PM deverá não só chamar a atenção como também aplicar punição disciplinar a esse agente público que deveria zelar pela segurança e não estimular a violência.
Vale lembrar que o episódio no Estádio do Café em nada se compara à selvageria vista em outras praças esportivas. Tivesse a PM feito a prevenção necessária e organizado a saída dos torcedores, talvez essa confusão nem teria ocorrido. Antes de agir com repressão, é preciso primeiro prevenir. A torcida do Operário, por exemplo, deveria ter sido orientada para que procurasse torcer para seu time sem fazer provocações como ocorreu no momento do gol que decretou a derrota do Londrina. O mesmo procedimento deveria ter sido feito com os torcedores alviceleste.
O triste episódio de domingo não só provoca trauma nas crianças, como também afasta cada vez as pessoas de bem que só buscam diversão nos estádios. Dirigentes do LEC, Fundação de Esportes e a Polícia Militar devem buscar soluções para evitar futuros conflitos no Estádio do Café.

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